Tecnologia

Pagamentos invisíveis. Podemos não os ver, mas estão a chegar

Pagamentos invisíveis
Foto: REUTERS/Lindsey Wasson

Entrar numa loja, agarrar no produto e sair sem pensar em pagar. Não é ficção, é a próxima tendência na área dos pagamentos digitais.

“Não estás a pagar, mas estás a pagar”. É assim que Alberto López, o diretor de venda de produtos em pagamentos digitais da Mastercard para Portugal e Espanha, define os os pagamentos invisíveis.

Parece confuso, mas pode tornar-se na forma mais simples que os utilizadores têm para pagar um serviço. Não envolve dinheiro físico, cartões, nem confirmações de compra em apps. São as chamadas experiências ‘zero cliques’, pois não precisa de haver uma preocupação com o ato de pagamento.

Tudo é feito em segundo plano, através das tecnologias de computação na nuvem. O exemplo mais comum de pagamentos invisíveis acontece quando utiliza um serviço como Uber, Cabify ou Taxify. Depois de fazer a confirmação do pedido do veículo, a tecnologia trata de toda a logística de pagamento e sem interação do utilizador.

“Sais do carro e está tudo feito. No final, por trás, o pagamento está a acontecer, mas não estás consciente disso. Depois recebes uma notificação, um email e está feito”, disse o responsável da Mastercard.

Segundo dados da consultora Juniper Research, os métodos de pagamentos invisíveis movimentaram 9,8 mil milhões de dólares em 2017, valor que em 2022 deverá ser de 78 mil milhões de dólares.

Só não existem mais serviços a tirar partido deste conceito porque a tecnologia não está suficientemente democratizada e ainda é cara. Bertrand Sava, diretor-geral da Visa para a Europa de Sul, dá um exemplo do que será possível experienciar nos próximos anos.
“Recebi uma notificação a dizer ‘Perto de onde estás, há algo do qual podes gostar’. Entro na loja, se for roupa experimento, levo e saio. Não porque estou a roubar, mas porque porque fui reconhecido”.

Depois acrescentou: “Ninguém gosta de pagar. Quanto mais invisível for o pagamento, mais vais gostar dele. A tecnologia que permite fazer isto já existe. É sobre biometria, vão reconhecer-te, pode ser a íris, mas também o comportamento, a forma como andas”.

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Nos EUA, a Amazon já está a testar lojas, as Amazon Go, em que os pagamentos invisíveis são o centro da experiência: a pessoa usa o smartphone para entrar na loja e a partir daí pode guardá-lo. Sensores de imagem e tecnologias de inteligência artificial percebem o que cada pessoa leva consigo e depois é só sair da loja – nem sequer há caixas registadoras. Os poucos funcionários que estas lojas têm são para repor stock e orientar os utilizadores nesta nova experiência.

À medida que os pagamentos vão ‘desaparecendo’ da vida das pessoas, pode isso ser uma ameaça para as empresas do setor?

“Não é uma ameaça, para nós é uma oportunidade. Acreditamos que temos de remover a fricção dos pagamentos, fazemo-lo perfeitamente no online e estamos a fazê-lo na transição do mundo online para o offline em experiências como as que foram referidas”, comentou Raimundo Sala, diretor da PayPal para Portugal e Espanha.

Já Alberto López diz que o papel da Mastercard “é ajudar a implementar estes pagamentos invisíveis de forma segura”. “O principal concorrente é o dinheiro”.

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Sobre este tema específico, Raimundo Sala, da PayPal, diz que nos países da Europa de sul será sempre mais difícil implementar novas tecnologias na área dos pagamentos, porque são países onde as pessoas gostam do dinheiro físico, “gostam de lhe tocar”.

Os cartões contactless são o melhor exemplo: em Portugal apenas representam 0,6% do valor total das transações eletrónicas.

“Vai ser diferente do que viste no passado. Vamos ver cada vez mais formatos de pagamento a coexistirem durante um longo tempo. Há pessoas que não se vão sentir bem em ir à loja, agarrar no produto e sair”, lembrou Paula Antunes da Costa, diretora da Visa Portugal.

“Provavelmente as novas gerações vão estar mais confortáveis com isso, pois já o são com as redes sociais e com tudo o que é digital e desmaterializado. Para os outros provavelmente vai demorar mais tempo”.

Amazon Go. A loja experimental agora é uma aposta séria

No final de 2016, a Amazon abria nos EUA, pela primeira vez, as portas da sua loja futurista: sem caixas registadoras, sem filas para pagar, sem pagamentos de todo. Esta semana, a Bloomberg avançou que até 2021 a tecnológica quer ter cerca de 3000 Amazon Go em funcionamento.

O segredo destas lojas está numa tecnologia chamada Just Walk Out. O sistema das lojas usa algumas tecnologias dos carros de condução autónoma, mas com um propósito muito diferente: visão artificial, sensores de imagem e aprendizagem automática permitem saber quais os produtos que cada um leva.

Se pegar num pacote de leite e desistir de levá-lo antes de sair da loja, o sistema é inteligente o suficiente para perceber o sucedido e para não cobrar aquele produto na conta final.

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