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Pandemia atira CTT para prejuízos de 2 milhões até junho

João Bento, presidente executivo dos CTT. 
(Diana Quintela / Global Imagens)
João Bento, presidente executivo dos CTT. (Diana Quintela / Global Imagens)

No 2º trimestre a área de Expresso e Encomendas registou o valor de rendimentos mais alto de sempre. Fechou junho a subir 16,9%, para 85,1 milhões.

Os CTT fecharam o primeiro semestre com prejuízos de 2 milhões de euros, uma quebra de 122,1% face aos 9 milhões de lucros registados até junho do ano passado. Um resultado que reflete o impacto da pandemia nas receitas de correio e outros que recuaram 14% no período, que o crescimento nas restantes áreas de negócio não conseguiu inverter. Até junho as receitas globais caíram 1,6%, para 349,2 milhões. A empresa investiu 10 milhões de euros, um recuo de 25,8%.

A pandemia afetou o desempenho do operador postal, afetando em particular o correio, quebra que, apesar dos crescimentos verificados em áreas como Expresso e Encomendas – que “no segundo trimestre de 2020 a área de Expresso e Encomendas registou o valor de rendimentos mais alto de sempre e o maior EBITDA dos últimos cinco anos”, destaca os Correios em nota de imprensa, tendo no trimestre atingido receitas de 47,8 milhões e um EBITDA de 2,2 milhões – que registou no acumulado do ano um crescimento de 16,9%, para 85,1 milhões de euros; bem como no Banco CTT, que fechou o semestre com um crescimento de 63% para receitas de 38,4 milhões, e dos serviços financeiros e retalho (+1,2%, para 21,5 milhões), não consegui contrariar a queda nos proveitos globais.

O EBITDA atingiu 33,4 milhões de euros, uma queda de 28% face ao mesmo período de 2019, fortemente impactado pelo Correio e Outros. Em junho, o EBITDA consolidado já voltou a crescer (+7,9%). Já o EBIT recuou 75,3%, para 4,9 milhões de euros, refletindo o crescimento de 379,2% das imparidades, para 11,1 milhões, “para fazer face a perdas potenciais com a contração económica prevista (+8,7 milhões) principalmente na área de negócio do Banco CTT, em particular com o crédito automóvel”, alerta o operador postal.

“Foi com enorme responsabilidade que os CTT assumiram a missão de apoiar o funcionamento da economia neste difícil contexto para as empresas e para as pessoas, mantendo a operação a funcionar, mas garantindo a segurança de todos os trabalhadores e cumprindo todas as recomendações das autoridades. Soubemos reagir e lançámos uma série de serviços digitais inovadores, dos quais destaco o CTT Comércio Local, o Criar Lojas Online e as Feiras e Showrooms no Dott, apoiando a transição digital das empresas, com especial ênfase nas PMEs, e dos pequenos comerciantes. Estas iniciativas permitiram que o segmento de Expresso registasse o melhor EBITDA trimestral dos últimos cinco anos”, destaca João Bento, CEO dos CTT, citado em nota de imprensa.

“Durante todo período da pandemia temos vindo a reforçar as equipas de forma significativa, com mais de 800 elementos (e um acréscimo líquido superior a 400), a maioria dos quais em funções de carteiro e prosseguimos com várias iniciativas para reforçar a capacidade e melhorar a oferta, nomeadamente o reforço da frota operacional de transportes e distribuição, o desenvolvimento de novas instalações adaptadas a tráfego de maior volumetria e a continuação do plano de abertura de lojas próprias em sede de concelho, iniciativa voluntária e acelerada imediatamente após o alívio das medidas de confinamento. Vamos continuar a lançar serviços inovadores, a apoiar o crescimento da economia e a reforçar a proximidade às populações, ligando pessoas e empresas, com entrega total”, conclui o CEO dos CTT.

Correios afetado pela pandemia, mas encomendas crescem

A área de negócio de Correio foi “muito afetada” pelo confinamento e pelo arrefecimento da economia desde a segunda metade do mês de março até maio, em consequência da pandemia, reconhecem os CTT. “Esta situação implicou a redução do horário de funcionamento das lojas dos CTT que se traduziu numa menor procura de serviços B2C. Também no segmento B2B se verificou uma redução da atividade, com particular destaque para os setores da banca e utilities e, ainda, da Administração Pública pelo encerramento ou suspensão da atividade de diversos organismos públicos e preparadores de correio”, descreve.

A situação resultou numa quebra de 13,7%, para 202,8 milhões de euros, das receitas.

Já na área de Expresso e Encomendas as receitas atingiram os 85,1 milhões de euros (+16,9%), desempenho fortemente impulsionado pelo crescimento de 32,5%, para receitas de 47,8 milhões, no segundo trimestre, período em os CTT aumentaram de forma significativa as entregas B2C, a reboque do crescimento do ecommerce. O operador, recorde-se, lançou nessa fase um conjunto de iniciativas como os serviços CTT Comércio Local, Criar Lojas Online, entrega de medicamentos ao domicílio ou CTT Expresso para Hoje, entre outros.

“Já no que se refere ao B2B, o primeiro semestre de 2020 ficou muito marcado pelo efeito da pandemia, observando-se que o final do mês de março e o início do mês de abril foram particularmente afetados pelas restrições impostas à maior parte dos setores da economia. Essas restrições tiveram um forte impacto no perfil de envios, tendo-se verificado uma redução do tráfego B2B, quer de encomendas quer de carga”, refere os CTT.

Banco CTT: pedidos de moratórias atingiram 2,9 mil

O Banco CTT obteve receitas de 38,4 milhões de euros no primeiro semestre, mais 14,8 milhões de euros (+63%) do que face a igual período do ano anterior, sendo 11,2 milhões de euros provenientes da 321 Crédito, adquirida em maio de 2019. “Mesmo excluindo esse efeito inorgânico, os rendimentos ascenderiam a 22,1 milhões de euros, mais 3,7 milhões de euros (+19,8%) do que no período homólogo”, refere a empresa.

“O crescimento dos rendimentos contou com a performance positiva da margem financeira no primeiro semestre deste ano, 12,3 milhões de euros (+135,3%) acima do mesmo período de 2019, crescimento esse que teria sido de 3,2 milhões de euros (+63,2%) sem o referido contributo não-orgânico”, destaca.

A performance comercial do Banco CTT permitiu o “incremento dos depósitos de clientes para 1 512 milhões de euros (mais 42,1% do que no primeiro semestre de 2019 e mais 17,8% do que no final do ano de 2019) e do número de contas, para 489 mil contas (mais 81 mil do que no primeiro semestre de 2019 e mais 28 mil que no final do ano de 2019).”

No segundo trimestre foram registados imparidades de 5,8 milhões, “refletindo o efeito da evolução da carteira de crédito durante o trimestre, no montante de 2,6 milhões e o efeito de estimativa de perdas potenciais com a contração económica prevista (efeito forward looking) na ordem dos 3,2 milhões”, realça a empresa no relatório e contas. Na 321C as imparidades, decorrentes da degradação da economia, atingiram os 7 milhões, mais 6,2 milhões do que há um ano.

No semestre, os pedidos de moratórias públicas (crédito à habitação) e privadas (sobre o consumo) atingiram as 2,9 mil, com uma exposição total de 66,6 milhões, representando cerca de 7% da carteira bruta de crédito.

Perspectivas para o resto do ano

Os CTT antecipam que o Correio continue a registar quebras no envio de cartas e correio publicitário que deverá conduzir a “uma queda de dois dígitos do tráfego de correio endereçado no exercício”, mas um “desempenho continuadamente positivo” da área de Expresso e Encomendas (que “deverá manter-se como o principal motor de crescimento, impulsionado pela continuada progressão do comércio eletrónico”) do Banco CTT e dos Serviços Financeiros, com estes últimos a beneficiar “da crescente tendência de poupança da população portuguesa, o que constitui um bom prognóstico para a colocação da dívida pública”.

“Em resultado da atual dinâmica comercial de combate à súbita queda do correio, os CTT esperam atingir um crescimento nos rendimentos operacionais, impulsionado pela área de Expresso e Encomendas, assim como atingir um EBITDA superior a 90 milhões de euros e um EBIT de mais de 30 milhões de euros no exercício de 2020”.

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