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Pandemia põe 4,6 biliões de comércio em jogo, Portugal pode competir em 10 áreas

( Natacha Cardoso/ Global Imagens )
( Natacha Cardoso/ Global Imagens )

Reorganização das cadeias de valor pode precipitar enormes desvios no comércio. Estudo do Ministério da Economia identifica pontos fortes do país.

Há uma dezena de sectores que, em Portugal, terão mais capacidade para captar novos mercados de exportações num momento em que se antecipam mudanças tectónicas no comércio internacional. No têxtil, e até no crítico turismo, estão as maiores vantagens nacionais quando se estima que o choque da pandemia e a vontade política de chamar a casa, ou mais perto, as produções multinacionais poderão dar origem a que até 4,6 biliões de dólares em exportações mundiais mudem de mãos.

As vantagens comparativas portuguesas no comércio internacional surgem identificadas num estudo publicado neste final de semana pelo Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia. A ideia é perceber os mais preparados para responder a procura externa acrescida em fábricas europeias que decidam mudar de fornecedores.

Segundo o McKinsey Global Institute, os desvios de comércio ao longo dos próximos cinco anos poderão atingir de 16% a 26% das trocas mundiais, o equivalente a entre 2,9 e 4,6 biliões de dólares, com base nos volumes de comércio de 2018. Farmacêutica, vestuário e comunicações são as áreas mais suscetíveis, refere a análise publicada quinta-feira que procura calcular efeitos caso a antecipada relocalização nas cadeias de valor se venha a concretizar em grande escala.

Em Portugal, a lista de potenciais beneficiários do estudo do Ministério da Economia arranca, precisamente, no têxtil, vestuário e calçado, com cerca de três mil empresas exportadoras. “Portugal tem a maior vantagem comparativa revelada na UE27, neste setor, e pode no curto prazo aproveitar a oportunidade para abastecer os mercados comunitários que não estão especializados, substituindo os respetivos fornecedores do mercado extracomunitário”, defendem os autores, Guida Nogueira e Paulo Inácio.

O estudo também identifica oportunidades para exportadores de madeira, cortiça e papel, num sector já fortemente orientado para os mercados externos. Sucedem-lhes produtores de borrachas e plásticos, com capacidade instalada para responder ao desafio, segundo os autores, e o sector dos minerais não metálicos.

O comércio, o alojamento e a restauração – sectores com exportações turísticas e dos que sofreram dos maiores impactos do confinamento até aqui – também surgem na lista de candidatos a disputarem os volumes de exportações que poderão estar em jogo dentro da UE a partir de agora.

São estes os dez sectores com as maiores vantagens comparativas na relação com os restantes 26 da União Europeia. O estudo aponta ainda mais áreas onde, apesar de não se mostrar tão competitivo, o país ainda pode lutar por uma fatia maior do comércio global: agricultura, silvicultura e pesca; indústria alimentar, das bebidas e do tabaco; mobiliário, maquinaria e equipamento; construção; imobiliário; e atividades de saúde humana e apoio social.

“Portugal pode não ser a opção mais óbvia. Ainda assim, com alguma prospeção de mercado poderá conseguir captar algumas oportunidades”, referem os autores.

Para já, o efeito da pandemia está longe de ser positivo para as exportações nacionais. Caíram 17% na primeira metade do ano, com menos 5,2 mil milhões de euros vendidos ao exterior. Apesar disso, o rombo suavizou-se já no mês de junho, com uma quebra de apenas 10%, e mesmo aumento das vendas em algumas áreas: houve mais exportações de maquinaria e produtos alimentares para parceiros europeus que um ano antes.

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