Pandemia tira mais de metade dos lucros às empresas do PSI-20

Nos primeiros três meses deste ano, os lucros das empresas da bolsa portuguesa caíram 55,9%, somando apenas 307 milhões de euros.

A covid-19 só chegou a Portugal na segunda quinzena de março mas teve tempo suficiente para infetar as contas das empresas do PSI-20. No primeiro trimestre, os lucros das cotadas da Bolsa nacional caíram 55,9%, somando 307,3 milhões de euros, segundo as contas do Dinheiro Vivo. A pandemia contaminou praticamente todos os pesos pesados do principal índice português.

Das 16 empresas que apresentaram resultados trimestrais – Mota-Engil e Pharol não divulgaram dados ao mercado – apenas Corticeira Amorim, EDP e EDP Renováveis viram os seus lucros aumentaram entre janeiro e março deste ano na comparação com este ano.

“A pandemia Covid-19 foi o fator maioritário nesta depreciação. É difícil encontrar outros fatores comuns, pois o peso que o vírus teve foi gigante. A maior parte dos setores foram gravemente afetados”, justifica ao Dinheiro Vivo o analista Francisco Alves, da corretora Infinox.

A EDP destaca-se por ter liderado os lucros no PSI-20, com 146 milhões de euros, mais 46% do que tinha registado no mesmo período do ano passado. Segundo o analista, “não demonstrou sinais de fraqueza em relação ao vírus” porque recuperou a produção de energia hídrica que tinha perdido no início do ano passado. Também ajudou a elétrica que a quebra do consumo de energia das empresas tivesse sido “parcialmente compensada por um aumento do consumo residencial”, sobretudo nos últimos 15 dias de março, notou a empresa na apresentação dos resultados.

A EDP Renováveis foi a segunda empresa que apresentou maiores lucros no último trimestre, 62 milhões de euros. Apesar de as receitas terem diminuído 7% entre janeiro e março, por causa da redução da capacidade instalada, houve menos resultados para tributar. Isto permitiu um aumento marginal dos ganhos, de mais 1,64%.

De líder dos lucros no início do ano passado, o BCP caiu para a terceira posição. Os resultados positivos caíram 77%, emagrecendo para 35,3 milhões. A justificar este desempenho está a constituição de provisões de 98,3 milhões de euros só para prevenir perdas relativas à Covid-19 foram reservados 78,8 milhões de euros. A outra parte das provisões é para proteger o banco dos processos relacionados com os créditos à habitação concedidos em francos suíços pela subsidiária polaca (Bank Millennium). “O BCP não se encontra numa situação fácil” e “não veremos grandes melhorias por parte do banco até ao final deste ano”, comenta o analista.

Na área do retalho, a Jerónimo Martins viu os seus lucros desceram 43,5%, para 35 milhões de euros. O grupo que detém Pingo Doce, Biedronka e Ara teve custos de cerca de 15,5 milhões de euros para manter em segurança as operações em Portugal, Polónia e Colômbia. O crescimento das vendas na primeira quinzena de março acabou por ficar sem efeito nos 15 dias seguintes, por culpa das restrições sanitárias.

A Galp também teve uma forte descida dos resultados positivos, para 29 milhões de euros. A quebra de 71,8% nos lucros reflete a diminuição do preço do petróleo nas últimas semanas de março e ainda a redução do consumo de combustíveis, por empresas e por particulares, resultante da pandemia.

Prejuízos para a família Azevedo

Pela negativa, o destaque nesta época de resultados vai para a Sonae. O grupo liderado por Cláudia Azevedo passou de lucros de 18 milhões de euros para prejuízos de 59 milhões de euros. Apesar da melhoria de resultados no lado do retalho – como o Continente -, a empresa teve de constituir provisões totais de 76 milhões de euros por causa dos outros negócios do grupo.

A Sonae Fashion (dona da marca de roupa Mo) reservou 25 milhões para lidar com a pandemia; a Worten teve de pôr de parte 20 milhões de euros; a Sonae Sierra, com os centros comerciais fechados, teve de provisionar 18 milhões de euros.

O grupo da Maia sofreu ainda com os impactos da participada NOS. A operadora de telecomunicações passou de lucros de 42,5 milhões de euros para prejuízos de 10,4 milhões de euros porque reservou 45,7 milhões de euros para lidar com potenciais efeitos da pandemia, como “dívidas de cobrança duvidosa, contratos onerosos e equipamento de proteção individual”.

Apesar da infeção no primeiro trimestre, Francisco Alves acredita que os próximos resultados, do segundo trimestre, serão “certamente melhores que o primeiro trimestre”. Mas o desempenho das 18 empresas do PSI-20 vai depender, sobretudo, “do resultado do levantamento das medidas de restrição”.

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