Dia Nacional da Manufatura

Papel D’Ouro reinventa o algodão com design e criatividade

Aluna do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, de Sabrosa, aprende a fazer papel  na fábrica Papel D'Ouro. Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens
Aluna do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, de Sabrosa, aprende a fazer papel na fábrica Papel D'Ouro. Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

A empresa de Alijó conquistou o seu lugar nos mercados com um produto artesanal, fabricado com desperdícios de algodão

As vozes alegres das crianças entraram pela Papel D’ Ouro um pouco antes das suas pequenas figuras surgirem à porta da fábrica de papel artesanal, feito exclusivamente com desperdícios de algodão. Sofia Gomes, mentora e proprietária da empresa de Alijó, abriu as portas da unidade a 48 alunos do 6.º ano do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, Sabrosa, numa iniciativa piloto a marcar o Dia Nacional da Manufatura, agendado para 4 de outubro.

A Papel D’Ouro tem na sua génese essa abertura à comunidade, o interesse em divulgar e dar a conhecer o processo de fabrico do papel, e o que uma pequena fábrica de Trás-os-Montes faz para ganhar mercado no país e além-fronteiras. Sofia Gomes tem o circuito turístico-industrial já bem oleado e o grupo de crianças, com a curiosidade própria da idade, segue-a sem grande rebuliço.

A empresa, onde trabalham quatro pessoas, surgiu da vontade empreendedora de Sofia Gomes, economista de formação, que desde que visitou um moinho papeleiro, em Barcelona, sonhou e trabalhou para instalar uma unidade de produção de papel manufaturado em Portugal. “Deu-me uma maluqueira, larguei o meu emprego e concretizei o sonho de ter um negócio próprio”, conta.

O investimento ascendeu a 350 mil euros, financiado em parte pelo Proder, e, em 2012, a Papel D’Ouro começou a produzir papel 100% reciclado. É “um negócio inovador, que recupera um ofício antigo, de caráter artesanal” e que se diferencia pelo “design, a incorporação de elementos diferenciadores no papel, pela introdução de novos produtos”. Segundo Sofia Gomes, todos os anos a empresa lança um novo artigo no mercado.

A Papel D’Ouro, cujo nome procura homenagear a região do Douro onde está inserida, vai buscar a sua inspiração aos primórdios da produção de papel em Portugal, produzido à base de algodão. A matéria prima é comprada nas indústrias têxteis do vale do Ave – desperdícios de produção – que depois é triturada e misturada com água para fazer a pasta de papel. Quando o objetivo é produzir um papel original, são incorporados componentes na pasta, como folhas ou flores.

Sofia Gomes explica aos alunos que o processo produtivo segue as fases do fabrico original de papel na China, ou seja, preparação da fibra, formação da folha, prensagem do papel (atualmente hidráulica) e secagem. Da Papel D’Ouro saem folhas de diversas cores, de acordo com a cor dos desperdícios de algodão, e múltiplos tamanhos. A pasta de papel é colocada sobre uma rede e envolvida num mosaico. Daí surge uma folha, que é depositada num feltro para seguir para secagem, numa estufa a 60 graus. Um processo simples e que as crianças aproveitaram ao máximo. Sofia Gomes permite que cada visitante, miúdo ou graúdo, ponha as mãos na massa e fabrique o seu próprio papel.

Para Diogo Guedes, de 11 anos, a visita foi “interessante, porque viu-se como se faz papel a partir de algodão, de um desperdício, e isso é reciclagem”. Já Catarina Carrelo, professora do agrupamento e coordenadora do projeto Eco-escola, sublinha a importância da visita a uma unidade da região, que permite aos alunos “interagir com a produção e com os materiais, o que não fazem em contexto de aula”.

A Papel D’Ouro tem conseguido vencer o estigma da interioridade e cumprir com o plano de negócios: já é rentável e tem previsto “um crescimento exponencial” em 2018. O mercado interno é pequeno, mas a empresa já assegurou clientes com o Museu Amadeu de Souza Cardoso ou a Fundação de Serralves. Agora, o objetivo “é crescer no exterior, onde há muito espaço, e consolidar o nacional, pela diversificação dos pontos de venda”.

Dia Nacional conta já com 25 empresas

O Dia Nacional da Manufatura, que terá lugar a 4 de outubro, conta já com a participação de 25 empresas portuguesas. São unidades que vão abrir as suas portas e mostrar o que produzem e como o fazem. Estas empresas responderam ao repto lançado pela Prodsmart, tecnológica que dinamiza esta iniciativa, de dar visibilidade ao tecido industrial português, mostrar que a manufatura é um setor fulcral para a economia e aproximar as unidades dos estudantes, de forma a aliciá-los para uma carreira na indústria. Esta iniciativa é inspirada no Manufacturing Day, lançado pelo ex-presidente dos EUA, Barack Obama.

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