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Passageiros da CP pagam por Intercidades mas andam em comboios regionais

São comboios como este que estão a fazer as ligações de longo curso em várias linhas de norte a sul do país. As unidades UTE 2240 têm velocidade máxima de 120 km/, não têm serviço de bar nem rede wi-fi, ao contrário das carruagens do Intercidades.
(Maria João Gala / Global Imagens)
São comboios como este que estão a fazer as ligações de longo curso em várias linhas de norte a sul do país. As unidades UTE 2240 têm velocidade máxima de 120 km/, não têm serviço de bar nem rede wi-fi, ao contrário das carruagens do Intercidades. (Maria João Gala / Global Imagens)

Falta de material e de manutenção levam CP a usar carruagens menos confortáveis e mais lentas. Com reclamação, empresa admite devolver a diferença.

A CP está a trocar os comboios Intercidades por comboios regionais em várias linhas de norte a sul do país. Mas as viagens custam o mesmo preço, embora as carruagens que fazem habitualmente o serviço regional sejam menos confortáveis e mais lentas e tenham menos serviços.

A empresa justifica a decisão com as avarias e o “excesso de imobilizações” do material circulante e admite devolver a diferença no bilhete. A comissão de trabalhadores da CP culpa as cativações do governo, que impedem a empresa de investir. A associação de consumidores ACOP considera que os passageiros estão a ser enganados e reclama redução de preços sempre que houver troca de comboios.

É no serviço Intercidades entre Lisboa e Évora que tem havido maiores problemas. Entre 22 de maio e 1 de julho, foram realizadas nada menos de 31 viagens em que as carruagens Corail, puxadas por uma locomotiva elétrica e que servem para as ligações Intercidades, foram trocadas pelas unidades UTE 2240, que fazem as ligações regionais um pouco por todo o país. São milhares de passageiros afetados.

A situação não é melhor a Norte. Houve 10 viagens em que os passageiros que fizeram a viagem de Alfa Pendular entre Lisboa-Santa Apolónia e Braga tiveram de passar para as carruagens Intercidades na estação da Campanhã. Pagaram o mesmo preço e demoraram mais tempo a chegar ao destino. Houve ainda duas viagens de Alfa Pendular entre Lisboa-Santa Apolónia e Porto-Campanhã que foram feitas com as carruagens do serviço Intercidades – e não com os comboios pendulares, mais rápidos.

“A CP tem vindo a enfrentar alguns problemas na sua operação diária, decorrente de avarias e excesso de imobilizações verificadas no seu parque de material circulante. Neste contexto, recorreu à substituição de material, diferente do que inicialmente estava programado”, reconhece fonte oficial da empresa em declarações ao Dinheiro Vivo. A empresa, em caso de reclamação, “procede à devolução aos clientes da diferença, entre o valor do serviço pago e o valor do serviço que efetivamente foi utilizado”.

Leia aqui: “Temos limitações muito grandes” para compra de comboios

A AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes refere que tem recebido reclamações sobre a “alegada falta de qualidade do serviço prestado pela CP”. A entidade que fiscaliza os transportes públicos diz que “se o utente reclamante não for devidamente informado de algum constrangimento que pudesse comprometer o serviço, poderá ter, eventualmente, direito a reembolso por parte do operador”.

A ACOP – Associação de Consumidores de Portugal exige que a CP baixe o preço dos bilhetes sempre que haja troca de comboios. ”A CP está a enganar as pessoas. Oferece um serviço de qualidade inferior e o consumidor não é informado. No mínimo, deveria reduzir proporcionalmente o preço das viagens em parte ou em todo o troço”, avalia Mário Frota. O líder da ACOP recomenda ainda que “as pessoas reclamem junto da empresa” sempre que exista uma destas situações.

A comissão de trabalhadores queixa-se das cativações impostas pelo Ministério das Finanças: “O Governo não liberta verbas sequer para comprar material para fazer a manutenção dos comboios”, lamenta José Reizinho.

A situação, no entanto, não deverá ficar resolvida tão cedo. A EMEF, a empresa que faz a manutenção e reparação de comboios, tem falta de pessoal e de peças para responder à altura. E o novo material circulante da empresa só deverá chegar, no melhor dos cenários, a partir de 2021.

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