Resultados 2017

Paulo Azevedo. “Nunca tivemos medo de ter muitas empresas cotadas”

Sonae está a estudar a abertura de capital em bolsa do seu negócio de retalho. Não indica qual, mas garante ter "interesse frequente" dos investidores

O Sonae está a estudar a possível cotação das suas unidades de retalho em bolsa, mas não indica quais nem qual a percentagem de capital de que poderá abdicar. “Vamos agora começar a estudar o tema e contactar os bancos”, garantiu Paulo Azevedo, co-CEO do grupo, acrescentando: “O que sabemos é que há interesse, pelas perguntas frequentes que recebemos por parte dos investidores”.

A par da disponibilidade dos investidores, Paulo Azevedo destaca a maturidade dos negócios e a vontade do próprio grupo em “dar mais autonomia” às suas equipas de gestão.

“Vamos estudar. Nunca tivemos medo de ter muitas empresas cotadas nem de estarmos sujeitos às críticas e às avaliações dos analistas”, destacou Paulo Azevedo. Já Ângelo Paupério garantiu que “em nenhum dos cenários” se coloca a possibilidade de perda de uma posição de controlo no negócio. Trata-se, garante, de uma “estratégia de autonomização do negócio” que permite ao mercado “aceder diretamente ao capital” e à Sonae ter “modelos de governance que ajudem ao desenvolvimento desse negócio”. O que está em causa, garante, “é estudar as oportunidades que possam daí surgir”.

O tema foi levantado pelos jornalistas na sessão de apresentação de resultados de 2017 da Sonae, na sequência do comunicado do grupo à CMVM. Questionado sobre os timings da operação, Paulo Azevedo garantiu que nem isso está, ainda, definido. O anúncio à CMVM decorre das novas regras em vigor. “É preciso falar antes de pensar”, brincou, acrescentando, mais a sério: “Não pensamos sozinhos, tudo isto envolve a contratação de bancos e pode haver especulação. Queremos preveni-la”.

E quanto ao interesse dos investidores? “Há dois anos que andamos a dizer que queremos equipas mais autónomas no retalho, como temos na NOS e na Sierra. Para estudar é preciso saber o que é que o mercado quer”, sublinha Paulo Azevedo.

O grupo não abre o jogo sobre qual o negócio que pretende colocar em bolsa, se o retalho alimentar ou uma das áreas de retalho especializado, como a Worten ou a Sports & Fashion. Sendo certo que a Modelo Continente chegou a ser uma sociedade cotada, tendo sido retirada de bolsa em 2006. “São mundos diferentes”, destacou Ângelo Paupério. Paulo Azevedo admite que o grupo não foi analisar as razões da saída de bolsa em 2006 para o processo de análise atual, mas garante que a situação é completamente diferente. “Na Modelo Continente tínhamos sócios e um deles foi adquirido por um dos nossos concorrentes. Havia um conjunto de fatores completamente diferentes”, frisou.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Número de desempregados é o mais baixo dos últimos 28 anos

Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Número de desempregados é o mais baixo dos últimos 28 anos

O antigo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos ouvido na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco. Assembleia da República, Lisboa, 19 de junho de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA

As razões de Teixeira dos Santos – e aquilo que nunca soube

Outros conteúdos GMG
Paulo Azevedo. “Nunca tivemos medo de ter muitas empresas cotadas”