Pedido de recuperação judicial da Oi pressiona a portuguesa Pharol

Acionistas da Oi decidem a 22 de julho sobre pedido de recuperação judicial da empresa. Analistas temem impacto na Pharol, que tem 27,2% da Oi.

É “expectável” que cerca de 20 mil pequenos investidores não sejam reembolsados em julho do montante que investiram em obrigações da PT Finance/Oi depois do pedido de proteção de credores da Oi. Na Pharol, que com 27,2% é a maior acionista da operadora brasileira, ainda é cedo para avaliar o impacto da decisão, mas os analistas já antecipam uma perda de posição da Pharol na empresa que vier a emergir do processo de reestruturação da Oi.

A 22 de julho os acionistas serão chamados a dar luz verde ao pedido de recuperação judicial - o maior da história do Brasil - que viu a Fitch e a S&P descer a avaliação para incumprimento e as suas ações chegar a cerca de 30%. No fecho de edição transacionavam com perdas a rondar os 20%. Em Portugal, a negociação dos títulos da Pharol e da PT Finance foi suspensa.

“Temos de ver o que acontecerá quanto à venda de ativos e à reestruturação da Oi, não só em termos operacionais mas também quanto ao endividamento. Há altas hipóteses de diluição dos acionistas com a entrega de ações da Oi aos obrigacionistas”, diz Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos, à Reuters. E não é só este o perigo. Não havendo um acordo com os credores pela via judicial, “a Oi será liquidada, significando que não é viável”, acrescenta. O impacto na Pharol, que tem na Oi o seu principal ativo (o outro é o crédito de 900 milhões de Rioforte, empresa insolvente), é evidente. “Estamos a falar da potencial falência de mais uma cotada do PSI 20, depois dos casos da Espírito Santo Financial Group, BES e Banif”, referiu Diogo Santos Teixeira, diretor-geral da gestora de fundos Optimize, à Reuters.

Sobre o processo de recuperação judicial da Oi a empresa que é liderada por Luís Palha da Silva referiu que “a Pharol reitera a sua determinação em continuar a defender a valorização do seu principal ativo - a participação de 27,2% de ações detidas direta e indiretamente através de subsidiárias a 100% na Oi - e a sua vontade de continuar a acompanhar, de perto e com todos os meios, a evolução da Oi durante o processo de recuperação judicial”.

Já os obrigacionistas que subscreveram em 2012 a emissão de 400 milhões de euros da PT Finance correm o risco de não ser reembolsados a 26 de julho. Um cenário “expectável”, segundo adianta a equipa de research do BiG ao Dinheiro Vivo.

Neste cenário de incerteza - o pedido ainda tem de ser aprovado pela Justiça brasileira e obter o OK dos acionistas, o que só irá acontecer quatro dias antes do prazo de vencimento do reembolso - “a única coisa expectável é que as obrigações que maturam em julho não deverão ser reembolsadas na referida data”, diz a equipa de research do BiG. Em causa está um montante de cerca de 300 milhões de euros, já que cerca de 100 milhões foram reembolsados aquando do processo de fusão entre a PT (agora Pharol) e a Oi.

À Deco, já chegaram 20 pedidos de informação dos detentores de obrigações da PT Finance/Oi. Desde o início do ano, altura em que o forte endividamento da Oi começou a dar sinais de preocupação, que os títulos vinham a desvalorizar. Hoje valem cerca de menos de metade do que o investido pelos pequenos investidores no momento da subscrição.

Perante o anúncio do pedido de recuperação judicial da Oi, a incógnita em torno destes títulos aumenta, considera a Deco. As obrigações da PT Finance - também incluída no processo de recuperação judicial - estiveram ontem durante todo o dia suspensas à negociação, mas quando retomar, os obrigacionistas serão confrontados com opções não muito risonhas: podem vender “com perdas muito grandes, bem mais de metade” do valor pelas quais subscreveram, ou então esperar “ter ganhos menores mais tarde, mas não se sabe quando”, descreve André Gouveia, economista da Deco. “Em retrospetiva, a proposta feita pela Oi aos credores - em que faziam a recompra com uma perda de 50% - era uma dádiva”, comenta.

O pedido de recuperação judicial da Oi “põe em risco os detentores das obrigações”, diz Eduardo Silva, gestor da XTB. “Com as negociações a decorrer a indefinição é total neste momento.” Depois do falhanço das negociações em Nova Iorque com os credores representados pela Moelis, ainda não são conhecidos os termos com que a Oi vai procurar fazer a reestruturação da dívida de 17 mil milhões de euros.

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