Pedro Nuno Santos: "A necessidade da expansão aeroportuária mantém-se"

Ministro diz que, apesar da quebra no tráfego aéreo devido à pandemia, continua a ser necessária mais capacidade aérea na região de Lisboa.

Antes da pandemia de covid-19, o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, estava no limite da sua capacidade. A pandemia trouxe uma nova realidade para toda a aviação civil, mas é expectável que o setor vá recuperar nos próximos anos, pelo que, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, defendeu esta terça-feira, 21 de julho, no Parlamento, que continua a ser necessário aumentar a capacidade aeroportuária na região de Lisboa.

"Vivemos um momento particular, em que a atividade aeroportuária é reduzida, mas é um momento que temos a certeza que é transitório e que o transporte aéreo retomará a intensidade que tinha antes da pandemia. Não existe nenhuma razão para que assim não seja, ainda para mais num País que é profundamente periférico no quadro europeu", começou por dizer o ministro das Infraestruturas numa audição conjunta com o ministro do Ambiente, Matos Fernandes.

"Por isso, o transporte aéreo é crítico para um país com a posição geográfica como a de Portugal. Sabíamos antes da pandemia que tínhamos um aeroporto Humberto Delgado esgotado e que estaríamos já a recusar milhares de voos e que isso significava perdas significativas de receitas, emprego e exportações. A necessidade da expansão aeroportuária mantém-se. O tempo que demora a conseguir o novo aeroporto é mais ou menos o tempo que julgamos levar até termos uma situação de recuperação do setor de aviação", acrescentou.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo neste fim-de-semana, Pedro Nuno Santos tinha admitido que será “difícil” que as obras para a transformação parcial da base aérea do Montijo em aeroporto complementar possam avançar este ano. “Mas Portugal não pode prescindir de aumentar a sua capacidade aeroportuária na região de Lisboa. Estamos a passar por uma situação muito particular, mas que não vai durar para sempre e no dia que voltemos a ter procura, temos que ter capacidade de resposta que já não tínhamos. Se não fosse esta pandemia, estaríamos a recusar já milhares de voos para Lisboa. E isso significa muito dinheiro para o turismo, para as receitas, receitas fiscais, prestações… Portugal não se pode dar ao luxo de não fazer um investimento, que não sendo necessário ao dia de hoje, que nos dê, dentro de três, quatro, cinco anos, a capacidade necessária. Temos que retomar esse processo o mais depressa possível”, disse o ministro das Infraestruturas.

Esta terça-feira, no Parlamento, o governante sinalizou ainda que há a ideia errada de se achar que "os aeroportos em Portugal servem apenas o turismo"."Lisboa é um hub muito importante na aviação global nomeadamente na ligação ao Atlântico Sul, em concreto ao Brasil. Podemos aumentar a capacidade aeroportuária do País sem que isso signifique necessariamente turismo. É bom que não se confunda turismo com aumento da capacidade aeroportuária. Embora o turismo seja fundamental para a economia e para a vida de centenas de milhares de portugueses que dependem do setor".

O ministro das Infraestruturas reiterou ainda que a transformação da base do Montijo está dependente nomeadamente de que os municípios envolvidos deem pareceres favoráveis, algo que até ao momento ainda não sucedeu. Perante este cenário, resta uma alteração da lei.

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