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Pedro Nuno Santos: Prémios na TAP são “falta de respeito” para trabalhadores

Pedro Nuno Santos (D), ministro das Infraestruturas e da Habitação, acompanhado por Antonoaldo Neves (C), presidente executivo da TAP, e por Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração da TAP.
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Pedro Nuno Santos (D), ministro das Infraestruturas e da Habitação, acompanhado por Antonoaldo Neves (C), presidente executivo da TAP, e por Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração da TAP. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Ministro das Infraestruturas está preocupado com a possibilidade de a companhia aérea portuguesa voltar a apresentar prejuízos em 2019.

Voltaram as críticas do Governo à gestão corrente da TAP. O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, considera que a repetição do pagamento de prémios a administradores mesmo que a empresa dê prejuízo é uma “falta de respeito” para com a esmagadora maioria dos funcionários da companhia aérea. O ministro manifestou ainda preocupação por uma provável repetição de prejuízos na empresa.

A atribuição de prémios é uma falta de respeito para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP. Há prémios para trabalhadores de topo quando a empresa tem 10 mil trabalhadores. É inaceitável que a empresa dê prémios quando há mais de 100 milhões de euros de prejuízo. Não é por ter havido prémios no passado que tem de haver prémios no futuro. No passado, não nos podemos esquecer de os prémios eram dados a mais de 10 mil trabalhadores”, recordou Pedro Nuno Santos em resposta aos deputados do PS em audição parlamentar na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, a decorrer esta quarta-feira.

O tema foi retomado no último fim de semana pelo principal acionista da TAP David Neeleman, em entrevista ao jornal digital Observador. “Todas as companhias pagam prémios de desempenho, é a fórmula consagrada em todo o mundo para gerir quadros de forma mais eficiente, e é assim que a queremos gerir para estimular as performances individuais. De resto, a TAP sempre pagou prémios e nos últimos 41 anos só deu lucro uma vez. E pagava prémios quando era 100% pública e isso nunca foi um problema”, afirmou o gestor brasileiro naquela entrevista.

Atualmente, o Estado manda na estratégia da empresa mas a gestão diária está a cabo dos acionistas privados. O resultado dessa gestão terá conduzido a novos prejuízos na companhia aérea portuguesa em 2019, num montante acima dos 100 milhões de euros, conforme noticiou na semana passada o jornal digital Eco.

O ministro Pedro Nuno Santos mostra-se preocupado pela repetição neste cenário mas mantém o voto de confiança na liderança da empresa, a cargo de Antonoaldo Neves.

A TAP deu prejuízo no ano passado e pelos vistos vai repetir. Isto é uma matéria que nos preocupa. Vamos contar pelos dedos de uma mão os anos em que a empresa não deu prejuízo. O que me explicam é que uma companhia aérea demora vários anos a dar a volta. Há uma estratégia a ser implementada e que vai dar resultados. Quero acreditar firmemente que a gestão que está a ser feita permitirá, no prazo de anos, fazer o turnaround e dar dinheiro”, afirmou o governante em resposta aos deputados socialistas.

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