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Pedro Nuno Santos quer que CP volte a gerir linhas de comboio

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação. (Foto: NUNO VEIGA/LUSA
Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação. (Foto: NUNO VEIGA/LUSA

Regresso da operação de transporte de mercadorias à empresa pública de comboios também deve ser discutido, admite ministro das Infraestruturas.

Uma CP a transportar passageiros e cargas, a realizar a manutenção material circulante e ainda a gerir as linhas ferroviárias. Esta é a visão de Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas (e da Habitação) para o futuro da empresa pública de comboios e foi apresentada esta quarta-feira na conferência sobre a ferrovia em Portugal, em Almada. “Não há nenhum meio de transporte que bata o comboio”, afirmou o governante.

A primeira etapa da “revolução” da CP passa pela integração da EMEF na empresa e deverá ficar concluída até ao final deste ano. “A EMEF existe para servir a CP. Mais nada! Depois, através da CP, pode servir todo o caminho-de-ferro em Portugal e a indústria ferroviária. Não havia nenhuma razão para estar há 20 e tal anos separada da razão da sua existência”, assinalou o ministro.

Elogiando a “magia” que esta empresa de manutenção tem feito nos últimos anos, Pedro Nuno Santos deixou críticas aos governantes das últimas décadas em Portugal.

“Pegámos no departamento de manutenção da CP e criámos uma empresa. Extraordinário! Começámos a ter duas empresas de costas voltadas, com prioridades distintas, sem se coordenarem, com duplicação de serviços e demorámos tantos anos, finalmente, a entrar num processo de fusão entre a CP e a EMEF. Temos o compromisso de concluir esta fusão até ao final do ano.”

Na segunda etapa, o ministro deixou no ar a discussão de a CP voltar a realizar o transporte de mercadorias, quatro anos depois de este negócio ter sido vendido ao grupo logístico MSC.

“É outro debate que temos de ter, com a empresa que transporta carga. Tem de ser discutido! Temos ideias fantásticas para promover a concorrência e a competição e depois vendemos a empresa a um cliente. Os problemas que temos a capacidade de criar neste país nos últimos anos são extraordinários.”

O ministro falou ainda sobre “o elefante na sala”: colocar a CP, de novo, a gerir as linhas ferroviárias portuguesas, como aconteceu até à criação da Refer, em 1997. “Carril de um lado e comboio é algo que me faz muita confusão. São coisas que têm de ser pensadas e funcionar de forma articulada.”

Pedro Nuno Santos recordou que o programa de Governo define “que se repense a forma como a infraestrutura e a operação se articulam. E nós vamos ter de fazer esse debate, quer se goste ou não. Temos de ter uma relação entre a infraestrutura e a operação que não temos e que deixámos de ter. Não sei qual é a relação, porque a administração da IP começa logo a olhar para mim com cara de preocupado. Nós temos de discutir isso sem reservas. Temos de debater isso. Podemos não precisar de separar a IP, entre ferrovia e rodovia, mas temos de articular estas infraestruturas.”

O governante lembrou que na Alemanha o gigante ferroviário Deutsche Bähn gere tudo, a operação, a gestão, a manutenção, transporte de carga, “e até tem autocarros”.

Comboio “no centro da cidade”

O ministro das Infraestruturas assinalou ainda que “não há nenhum meio de transporte que bata o comboio, do ponto de vista ambiental, económico e de segurança”. E o comboio deve chegar “ao centro da cidade”. Algo que não vai ser possível com o automóvel, mesmo que seja eletrificado ou que funcione a partir do hidrogénio.

“Só vamos conseguir combater a falta de espaço se as pessoas chegarem à cidade de comboio. Ao centro da cidade. […] A melhor forma de nós construirmos mobilidade em Portugal é o comboio pesado ir ao centro da cidade, como nos países onde a mobilidade serve bem as suas populações. Não é ficar à porta. Não há nenhum meio de transporte, nem metro nem ferrovia ligeira, que consiga fazer frente ao comboio pesado.”

Na abertura do congresso sobre a ferrovia, Pedro Nuno Santos lamentou ainda os problemas no acesso dos utentes de comboio a Lisboa. “Custa-me ver todo o país com as dificuldades que tem a chegar a Lisboa. Isto não deixa nenhum membro do Governo satisfeito.”

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