Pedro Nuno Santos: TAP pode começar a devolver dinheiro ao Estado em 2025

No pior cenário, necessidades de financiamento da companhia aérea poderão atingir um total de 3,725 mil milhões de euros até 2024.

Apenas em 2025 a TAP poderá começar a devolver o dinheiro injetado pelo Estado. O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, estimou esta sexta-feira que serão necessários cinco anos para que a companhia aérea possa apresentar números positivos. No pior cenário, as necessidades de capital poderão atingir os 3,725 mil milhões de euros até 2024.

"Em 2025, a TAP já estará em condições de devolver algum do dinheiro ao Estado português", adiantou Pedro Nuno Santos em conferência de imprensa realizada no ministério das Infraestruturas e da Habitação, em Lisboa.

Para começar a devolver ao empréstimo ao Estado, contudo, a empresa poderá ter de continuar nos cuidados intensivos por vários anos. As necessidades de financiamento da companhia estão divididas por vários anos e podem implicar a utilização de garantias públicas para esses empréstimos.

Além dos 1200 milhões de euros injetados neste ano, a TAP deverá precisar de 970 a 1164 mil milhões de euros em 2021.

Nos anos seguintes, as necessidades de capital são menores, segundo os números divulgados por Pedro Nuno Santos:

2022 - entre 463 e 503 milhões de euros;

2023 - entre 379 e 438 milhões de euros;

2024 - entre 392 e 420 milhões de euros.

Depois destas injeções de capital, a empresa apenas deverá atingir o break-even (as receitas serão equivalentes às despesas) em 2023 e resultado operacional positivo em 2024.

Procura de 2019 só em 2025

Também presente também na conferência de imprensa, o secretário de Estado do Tesouro, Miguel Cruz, sinalizou: "não podemos perder de vista que o plano tem como objetivo a sustentabilidade da TAP a médio prazo. A companhia tem de atravessar este período de recuperação e ser sustentável". O plano de reestruturação - que prevê a saída de até dois mil efetivos da empresa - tem de ser "credível", segundo o secretário de Estado.

O responsável salientou, tal como o ministro das Infraestruturas, que o plano de reestruturação tem por base o cenário base da IATA, embora sendo um pouco mais conservadores. "Estamos a assumir que o cenário médio da IATA, e que diz que em 2025 estaremos nos níveis de 2019 e eventualmente um bocadinho acima. O que estamos a usar é que em 2025 ainda não estamos nos níveis de 2019".

"Temos de ter a noção que quando olhamos para o setor, qualquer coisa como 220 mil milhões de dólares foram acrescidos à dívida das companhias aéreas. Vamos ter de dar atenção à reestruturação do balanço. Em 2025, a procura estará muito próxima do que fechado em 2019. Estamos a falar de estar acima dos 3 mil milhões de euros de receitas da TAP em 2025. Isso significa que o equilíbrio operacional será entre 2023 e 2024. Isso é um tema importante para a reestruturação e para a posição da TAP perante os mercados", afirmou Miguel Cruz.

"Só em 2025 é que conseguimos ter uma situação que permita à TAP gerar os recursos necessários para a operação e começar, marginalmente," a reembolsar o empréstimo.

O secretário de Estado defendeu ainda que o cenário central do auxilio de Estado em 2021 é de 970 milhões de euros, uma vez que está a ser considerado que não há condições para que a TAP se financie no mercado sem garantias.

"Também o cenário central é que este financiamento possa assumir a forma de garantia de Estado. Não se perspetiva qualquer desembolso. O que está em causa é a prestação da garantia de Estado", garantiu Miguel Cruz. Explicou ainda que esta garantia de quase mil milhões de euros na TAP "terá de assumir uma natureza contingente", ou seja, se a recuperação for mais célere do que está previsto "não introduziremos os mesmos montantes que estamos a prever".

(Notícia atualizada pela última vez às 13h45)

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