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Pessoa e Saramago vão vender o país lá fora

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Turismo de Portugal prepara novo plano para atrair turistas estrangeiros com maior poder de compra. Brexit obriga a diversificar mercados.

Cruza-se diariamente com milhares de pessoas e muitos até se sentam com ele para uma bica ou uma selfie. Há até quem veja Lisboa através dos seus olhos. Agora, Fernando Pessoa junta-se a José Saramago, Sophia de Mello Breyner ou Eça de Queiroz para mostrar Portugal aos estrangeiros. É o novo plano de ação que o Turismo de Portugal está a ultimar e que usa os grandes autores portugueses como chamariz de turistas.

“O que vamos fazer com o Turismo Literário é aproveitar um recurso que é nosso – exclusivamente nosso -, são os nossos autores e os nossos livros. E utilizar essa ferramenta de promoção nos mercados que nos interessam. É um plano de ação que vai ser lançado em breve e que fundamentalmente utiliza um recurso, estrutura-o, organiza-o de uma determinada forma e permite vendê-lo lá fora”, adiantou, ao Dinheiro Vivo, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

O objetivo é semelhante ao que já deu origem aos planos de Cycling & Walking ou, mais recentemente, de Enoturismo. “O que é que isso faz? Faz que tenhamos melhores turistas, aqueles que gastam mais e consomem mais, porque têm poder aquisitivo. Permite-nos crescer em todo o território e ao longo de todo o ano, e isso é o grande objetivo desta diversificação de produtos.”

Sem revelar uma data específica para a entrada em vigor deste plano, ou detalhes de como irá funcionar, Luís Araújo lembra que por todo o país “há 50 casas de autores portugueses abertas ao público”. São casas-museu, casas onde estes escritores viveram ou morreram, onde está a sua obra, bibliotecas históricas, livrarias tradicionais, ou até feiras do livro ou festivais, que vão servir como cartão-de-visita para mostrar um lado menos conhecido de Portugal, em regiões menos visitadas. “Acreditamos que é uma oferta de valor acrescentado para que os turistas fiquem mais tempo”, diz Luís Araújo.

“O Enoturismo é muito destinado aos norte-americanos, mas também aos alemães, ingleses, brasileiros, espanhóis, franceses. O Turismo Literário também, o que é uma questão interessante. Obviamente que interessa mais os mercados de língua portuguesa, que são os que reconhecem melhor a nossa literatura, mas também aos europeus. Espanha é um claro alvo para este plano, França, Alemanha e o Reino Unido também.”

O lançamento de planos de ação que agreguem áreas específicas – os Caminhos da Fé, o Cycling & Walking e o Enoturismo – funciona como mecanismo de diferenciação do destino Portugal em relação aos seus concorrentes diretos e permite ganhar ao nível da receita, uma vez que capta turistas que, por tradição, são mais gastadores nas suas viagens. Por exemplo, os brasileiros e norte-americanos são compradores natos de vinhos e produtos típicos, como têxteis, ourivesarias ou porcelanas.

Isto faz especialmente sentido numa altura em que Portugal está a braços com o Brexit, e a consequente desvalorização da libra. Os ingleses são o maior mercado emissor de turistas para Portugal – no ano passado foram 2 milhões – e o maior risco neste momento é, precisamente, a perda do poder de compra, que, no limite, pode direcionar os britânicos para destinos mais baratos como a Turquia, Egito ou Tunísia.

“Não podemos promover apenas o país pelos seus atributos. É óbvio que temos uma gastronomia fantástica, um património maravilhoso, recebemos como ninguém e temos um clima absolutamente extraordinário. Mas é preciso mais do que isso. E se nós queremos direcionar a mensagem temos de estruturar o produto para que ele possa ser facilmente vendido.”

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