Energia

Petróleo e Petrobras voltam a pressionar plano de investimentos da Galp

A plataforma petrolífera Cidade de Maricá foi a quinta a entrar em operação no Brasil, há um mês. Em 2017 deverá produzir 150 mil barris/dia. Foto: Petrobras
A plataforma petrolífera Cidade de Maricá foi a quinta a entrar em operação no Brasil, há um mês. Em 2017 deverá produzir 150 mil barris/dia. Foto: Petrobras

A petrolífera portuguesa apresenta estratégia na terça-feira, mas CEO garante que projetos são rentáveis mesmo com crude a 35 dólares o barril.

A Galp apresenta o plano estratégico para o período de 2016 a 2020 na terça-feira, 15 de março. E, mais uma vez, o mercado está preocupado com uma possível redução do investimento e/ou com a recalendarização de projetos de produção de petróleo no Brasil.

A razão é a queda do preço do petróleo – que já o ano passado tinha levado a Galp a cortar o investimento anual de 1,5 para 1,2 mil milhões de euros. Mas também o agravar da crise na Petrobras, a principal acionista dos grandes projetos da Galp no Brasil. Contudo, desta vez, nem é tanto o preço do petróleo que está a preocupar o mercado, apesar de a cotação estar ainda mais baixa agora do que no início de 2015 (47 vs 25 dólares) e de toda a indústria estar, novamente, a reduzir o investimento porque se ganha menos dinheiro.

É que na apresentação das contas anuais da Galp, a 8 de fevereiro, o CEO, Carlos Gomes da Silva, mostrou-se tranquilo. “Não são circunstâncias geopolíticas que nos irão fazer recuar”, disse, acrescentando que os projetos no Brasil continuam a ser rentáveis com o preço do crude a 30 ou 35 dólares. Além disso, a cotação já começou a recuperar e está agora nos 40 dólares, depois de ter atingido os 25 no arranque de 2016, o valor mais baixo em 12 anos. De tal forma que a Agência Internacional de Energia antecipa que o preço já bateu no fundo e vai agora começar a subir.

“Não são circunstâncias geopolíticas que nos irão fazer recuar”, disse o CEO da Galp, Carlos Gomes da Silva.

O que mais preocupa os analistas é o agravar do gigante processo de corrupção que está a afetar a Petrobras. “Ela é que é o operador e é ela que tem a chave para o calendário, ou seja, decide quando começam os projetos. Se decidir não investir, isso vai ter impacto na Galp e adia a entrada de petróleo e, consequentemente, de cash flow”, disse um dos analistas contactados pelo Dinheiro Vivo que não quis ser identificado.

E esse cash-flow é necessário para a Galp. Segundo o plano de negócios em vigor, a empresa pretende investir entre 2,4 e 7 mil milhões de euros até 2019, a maior parte dele no Brasil, o seu principal mercado onde, em 2015, a produção de crude cresceu 82% para 36,6 mil barris diários.

Contudo, dizem os analistas, o impacto da crise na Petrobras não será no projeto Lula/Iracema, onde já se produzem 490 mil barris/dia – as quantidades estimadas pelo consórcio – e para onde já estão contratadas mais cinco plataformas petrolíferas. Ou seja, um recuo significaria mais perdas do que lucros.

O que levanta mais dúvidas ao mercado é a estratégia de venda de ativos da Petrobras, com a qual prevê encaixar 52 mil milhões de euros. Nesse plano estão incluídos vários campos de petróleo e, segundo os analistas, um deles pode ser o Carcará, onde a Galp tem uma participação de 14%.

Perante isto – tanto o petróleo baixo como a Petrobras – há analistas que estão curiosos para saber se a Galp terá um plano B para fazer frente à possível descida do cash- -flow. Como por exemplo com a venda de ativos ou de posições minoritárias nos negócios do gás, refinação ou combustíveis.

Contudo, pode parecer precipitado que haja esse interesse por parte da Galp. É que apesar de o aumento de 60% da produção de petróleo ter tido um forte impacto nas contas de 2015, colmatando a quebra do preço do petróleo, os maiores contributos vieram da refinação. Não só a Galp refinou mais petróleo como beneficiou de maiores margens de refinação (a diferença entre o preço a que compram o crude e vendem os combustíveis). Contas feitas, os lucros subiram 71,5% para 639 milhões e o EBITDA cresceu 19% para 1,6 mil milhões.

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