farmacêutica

Pfizer recua. Maior fusão da história farmacêutica já não vai ser feita

A fusão com a Allergan permitiria à Pfizer mudar a sede para Dublin, na Irlanda, conhecida por celebrar acordos fiscais com multinacionais

O governo norte-americano avançou esta semana com novas regras para limitar os benefícios resultantes dos acordos fiscais com grandes empresas e já está a conseguir os efeitos desejados. Esta quarta-feira, a Pfizer decidiu cancelar a oferta de 160 mil milhões de dólares (mais de 140 mil milhões de euros) pela fabricante de botox Allergan.

A fusão com a Allergan, anunciada em novembro do ano passado, permitiria à Pfizer mudar a sede para Dublin, na Irlanda, conhecida por celebrar acordos fiscais com multinacionais. Ou seja, mais do que criar sinergias, o objetivo da Pfizer era reduzir drasticamente a carga fiscal.

Era precisamente essa mudança que o governo de Barack Obama queria evitar. Na segunda-feira, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou uma série de medidas que têm como objetivo demover as grandes empresas de celebrarem este tipo de acordos. A principal medida será “desconsiderar as ações atribuíveis a investimentos ou aquisições recentes por parte de empresas norte-americanas”.

Simplificando, “as operações chave da Allergan que tenham sido concretizadas nos últimos 36 meses não serão contabilizadas, em termos financeiro, no acordo Pfizer-Allergan”, explica um analista da Evercore, citado pela Reuters.

As novas regras não são explicitamente direcionadas para qualquer empresa, mas abrangem um fator muito específico da fusão entre a Pfizer e a Allergan: o histórico da fabricante de botox enquanto grande comprador na indústria farmacêutica.

Em causa estão, por exemplo, operações como a fusão da Allergan com a Actavis, avaliada em 57,9 mil milhões de euros, a aquisição da Forest Laboratories, por 21,9 mil milhões, e a compra da Warner Chilcott, por 4,3 mil milhões. Todas estas operações não teriam qualquer impacto positivo para as contas da Pfizer, se decidisse avançar com a fusão.

Após o anúncio do Tesouro norte-americano, as duas farmacêuticas emitiram um comunicado conjunto, onde dizem apenas estar a avaliar as ações das autoridades. “Até completarmos a análise, não vamos especular sobre qualquer potencial impacto”, pode ler-se no comunicado.

Agora, segundo a Reuters, a Pfizer e a Allergan deverão anunciar o fim do acordo ainda esta quarta-feira. Os termos do acordo determinam que, ao recuar, a Pfizer tenha de pagar 400 milhões de dólares (351 milhões de euros) à Allergan.

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