Plantar e planear o futuro chama-se Mini Kiwi

Em Famalicão, coração da indústria têxtil, pulsa um ADN empreendedor. Entre os negócios inovadores identificámos 4 do agroalimentar. Eis um dos casos

Esta é uma história de família. Uma narrativa que começou a ser construída pelo patriarca Emanuel Machado para plantar o futuro dos filhos, e o seu e o da sua mulher para quando chegarem à reforma. Portugal vivia a “loucura dos pequenos frutos” e Emanuel Machado, que tinha dois hectares de terra em Famalicão, foi ver as groselhas, as framboesas, os mirtilos. Mas foi uma experiência com mini kiwis, um fruto pouco maior que um bago de uva, originalmente produzido na China, Coreia do Sul, Japão e Sibéria, que o transformou em empresário agrícola.

O empreendedor famalicence, que mantém um emprego a tempo inteiro na refinaria da Galp, em Matosinhos, deparou-se com uma investigação na Universidade de Gante, na Bélgica, à cultura deste fruto e, esperançoso, foi conhecer o mini kiwi e saber da possibilidade de ser produzido em terras nacionais. Decide apostar.

Em 2012, faz uma plantação experimental com 200 plantas e seis variedades, com o apoio do investigador da Universidade de Gante, Filip Debersaques, e os resultados geraram “um entusiasmo muito grande”. O fruto adaptou-se bem ao clima e à terra, apresentando um crescimento mais rápido que noutras geografias.

Emanuel Machado arregaçou as mangas, puxou da bolsa das poupanças e comprou mais terreno e plantas. Em simultâneo, começou a preparar a vertente comercial. Em 2016, saíram os primeiras três toneladas de mini kiwi para a empresa alemã Diplanya, uma grossista que fornece redes de supermercados na Europa Central.

Nesta azáfama, a filha Sofia (nutricionista de formação) dá a mão na seleção da qualidade do produto antes do escoamento para o cliente. Os frutos que não têm calibre e/ou apresentam defeito são aproveitados para compotas e licores, uma obra a cargo de Antonieta, a mulher, que também está encarregue da contabilidade. O filho Ricardo, com estudos na área da Agronomia, já foi “avisado” que terá de ajudar, mas, para já, está na Diplanya como comercial de compras.

Neste momento, a Mini Kiwi Farm responde por quatro hectares plantados (dois em produção) e orgulha-se de ser das primeiras produtoras a colocar o fruto na Europa. Este ano, a colheita atingiu as oito toneladas, tendo sofrido do calor intenso que se sentiu no início do verão.

Emanuel Machado garante que o negócio é rentável e não há dificuldades de escoamento. Aliás, na última colheita conquistou clientes em França, Áustria e Espanha. Agora, aguarda pela finalização de uma investigação da Faculdade de Farmácia do Porto para saber do potencial do fruto, para a elaboração de sumos e chás. O futuro está plantado.

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