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PME são as que mais perdem com os incobráveis

Fotografia: AP Photo/Michael Sohn
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Atrasos na cobrança das faturas impedem 35% das PME de contratar novos colaboradores. Nas grandes empresas a questão não influencia as contratações

As pequenas e médias empresas portuguesas perderam 2,4% da sua receita anual, em 2015, devido aos incobráveis. Uma percentagem bem maior do que a referida pelas grandes empresas que se ficam pelos 1,1%. Os dados são do último inquérito do Intrum Justitia e mostram que “os incobráveis acabam por afetar toda a gestão das PME de modo transversal em quase todas as áreas destas empresas”.

Segundo o questionário da Intrum Justitia, consultora europeia de serviços de gestão de crédito e cobranças, é o prazo médio de pagamento às PME nacionais é de 68 dias, sendo de 61 dias nas grandes empresas, um número que ultrapassa os termos contratuais definidos no inicio da relação comercial e que se situa nos 52 dias e 46 dias, respetivamente.

Quando questionados sobre qual o maior prazo concedido ao cliente para liquidar as suas faturas, as PME referem 87 dias e as grandes empresas 89 dias.

Relativamente às causas para estes prazos dilatados, 93% das PME e 75% das grandes empresas apontam as “dificuldades financeiras dos devedores”, logo seguido do “atraso de pagamento intencional” referido por 71% das grandes empresas inquiridas e por 49% das PME.

Ainda no que respeita às causas, 59% das grandes empresas e 45% das PME referem a “ineficiência administrativa” como um entrave à recuperação dos incobráveis.

Se em relação às causas parece haver uma relativa unanimidade entre PME e grandes empresas, quando questionadas se pagamentos mais rápidos permitiriam um aumento das contratações de novos colaboradores, a diferença é mais significativa: 35% dos empresários das pequenas e médias empresas confirmam esta questão, contra os 75% de grandes empresários que alegam que essa premissa não influencia as novas contratações.

“As perdas resultantes dos atrasos de pagamento são sempre maiores para as pequenas e médias empresas do que para as grandes empresas. Basta analisarmos a percentagem de incobráveis no ano anterior, face à receita anual, com as grande empresas a indicarem 1,1% e as PME 2,4%. Por outro lado, no nosso inquérito, apurámos ainda que tanto nas PME (71%) como nas grandes empresa (67%), raramente as faturas são entregues a empresas de cobranças e quando o fazem esperam em média 172 e 125 dias respetivamente. Um apoio fundamental e que poderia reduzir os incobráveis e as dificuldades de tesouraria sentidas pelas empresas”, destaca Luis Salvaterra, diretor geral da Intrum Justitia.

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