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PME Sotecnisol de olho em investimento de mil milhões

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A empresa planeia entrar nos leilões de dezembro, mas para já quer vender serviços de instalação de painéis solares aos vencedores do primeiro leilão.

Desde 2007 a trazer a energia do sol aos telhados das empresas portuguesas, este ano a PME Sotecnisol vai sair da sua zona de conforto e está de olho nos mais de mil milhões de investimento potencial na sequência dos leilões de energia renovável lançados pelo governo. “Estamos na corrida ao solar. Não seremos as lebres, mas os corredores de fundo”, disse Filipe Bello Morais, diretor geral da Sotecnisol Power & Water, a unidade de negócio da empresa que se dedica ao setor da energia.

Com uma faturação de quase seis milhões de euros em 2019, a empresa planeia participar nos próximos leilões de dezembro, ao lado das gigantes energéticas nacionais e internacionais. Antes disso, quer vender os seus serviços de instalação de painéis solares fotovoltaicos aos vencedores dos primeiros leilões, que decorrem até segunda-feira. Apesar de estar a olhar para o potencial solar português “com muito interesse e grande atenção”, a Sotecnisol decidiu não estar presente nesta primeira fase na licitação, com 1400 MW disponíveis: “Pensámos em licitar, mas pareceu-nos que não era ainda o momento adequado para fazer uma instalação com a dimensão de um parque fotovoltaico. As regras são recentes. Queremos primeiro perceber o que vai acontecer neste leilão de julho e projetar uma ida a leilão no final deste ano. Serão mais 800 MW em dezembro de 2019”, avançou o responsável da empresa, especialista em instalações fotovoltaicas até um máximo de 1 MW em coberturas de edifícios.

Ainda assim, e mal sejam conhecidos os resultados dos leilões, a Sotecnisol vai apresentar a sua oferta “competitiva ao nível do preço” aos promotores que vençam em cada um dos 22 lotes para tentar angariar a execução da instalação no terreno das futuras centrais fotovoltaicas. “Estamos a desenvolver uma oferta que vá direta às necessidades dos promotores. A maioria deles são internacionais e precisam de parceiros nacionais na componente de execução”, diz Filipe Bello Morais. Quanto ao preço dos painéis, se em 2007 cada kW instalado pela Sotecnisol podia custar cerca de 7500 euros, hoje ronda os 800 euros.

Na “guerra de preços” que se segue, a empresa acredita ter vantagem: “somos muito profissionais e agressivos na gestão de compras e conseguimos refletir esse ganho nos clintes”.
Os painéis solares que vende e instala vêm sobretudo da China, mas também da Áustria (estes últimos mais caros e para um mercado de nicho) e já não cabem nos seus armazéns de Camarate. Por isso, a Sotecnisol investiu 1,5 milhões de euros em 2019 para aumentar o seu espaço de armazenamento em mais 4000 m2 “para responder rápido aos clientes e pôr em marcha projetos adjudicados”. A empresa está também a reforçar as suas equipas de instalação e execução de obras.

Além dos leilões, o futuro da Sotecnisol passa pelas novas comunidades de energia que vão nascer em Portugal em 2020, como já anunciou o governo, com a instalação de “centrais maiores para alimentar vários pequenos consumidores no mercado residencial” e ainda pelas instalações fotovoltaicas com baterias agregadas e capacidade de armazenamento de energia no espaço de “três a quatro anos”. “Ainda é caro para o típico empresário em Portugal. Mas há vontade”, diz Bello Morais.

Para já, a PME dedica-se ao que sabe melhor: instalações fotovoltaicas em coberturas, para auto-consumo empresarial e industrial, na ordem das centenas de kW, com obra já feita nos edifícios de empresas como a Mendes Gonçalves, dona da marca Paladin, na Golegã, nos supermercados Aldi, nos grupos Auchan, Sovena e Delta, e até no setor público, onde o IAPMEI é cliente. “Estamos a concluir um projeto de 1 MW numa fábrica de madeiras de Leiria, a Valgo, e a iniciar outros: no hotel dos Oitavos, na Quinta da Marinha, num hipermercado Auchan, em Faro, e no CNEMA, em Santarém, que vai ter um sistema de parqueamento fotovoltaico, com um investimento de um milhão de euros”, conta o diretor geral.

A estas empresas a Sotecnisol garante uma poupança média anual de 30 a 40% no volume total de energia consumida, podendo a redução na fatura da eletricidade chegar mesmo aos 50%. “No verão, os nossos clientes quase podem desligar-se da rede e trabalhar apenas em euto-consumo”, remata Filipe Bello Morais.

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