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Poças Júnior investe no enoturismo

Pedro Poças Pintão,  diretor comercial da Poças Júnior. Fotografia: Fernando Timoteo
Pedro Poças Pintão, diretor comercial da Poças Júnior. Fotografia: Fernando Timoteo

Uma loja e um wine bar são as apostas para à aproximação da marca ao cliente final.

A celebrar os 25 anos do Coroa d’Ouro tinto, o primeiro DOC Douro da empresa, a Poças Júnior está apostada em crescer no enoturismo como forma prioritária de aproximação ao cliente final. Além do meio milhão de euros de investimentos que tem em curso na área produtiva, a empresa prepara a abertura de uma loja e um wine bar na zona do Porto/Vila Nova de Gaia.

Fundada em 1918 por Manoel Domingues Poças Júnior, esta é uma das poucas casas de vinho do Porto que nasceu portuguesa e se mantém na posse da mesma família. É hoje gerida pela quarta geração, sendo seis os membros da família com lugar de destaque na empresa.

Com três propriedades no Douro, a Poças conta atualmente com cerca de 100 hectares de vinha, parte da qual foi replantada após a aquisição das propriedades. A empresa está, por isso, “confortável com a área existente”, diz Pedro Poças Pintão, diretor comercial. Na Quintas das Quartas, em Fontelas, na Régua, estão instalados o centro de vinificação e um armazém de envelhecimento de vinho do Porto onde repousam até 25 mil hectolitros em cascos de madeira, que vão desde as meias-pipas, de 267 litros, aos balseiros de 88 mil litros. Mas a empresa quer aumentar a sua capacidade de armazenamento e envelhecimento. Tem, por isso, em curso a construção de uma nova cave de barricas, num investimento de meio milhão de euros.

A Quinta de Vale de Cavalos, na freguesia de Numão, Vila Nova de Foz Côa, e a de Santa Bárbara, na freguesia de Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira, de onde vêm os melhores Vintages da Poças, são as outras duas propriedades da empresa.

Mas os investimentos na Quinta das Quartas não se ficam por aqui. A partir de 2017, a Poças Júnior pretende remodelar a adega de modo a melhor responder ao novo enfoque nos vinhos DOC Douro. É que estes não só representam já cerca de 25% da produção da empresa, como as expectativas apontam para a duplicação do seu peso nos próximos cinco anos. “Temos crescido a dois dígitos nos últimos três anos neste segmento de mercado e a meta é manter esse ritmo ao mesmo tempo que nos afirmamos como um dos players em termos de DOC Douro de qualidade”, diz Pedro Poças Pintão, explicando que está a ser desenvolvido um trabalho para “aumentar vendas de DOC Douro em mercados de relevo e onde sentimos que estamos sub-representados, nomeadamente em Portugal”. Por outro lado, este será um investimento que terá, também, em vista melhorar as condições de enoturismo da quinta. “Estamos sensíveis ao crescimento do enoturismo e à sua sinergia com a venda de vinhos, pelo que a nova adega será pensada para receber visitas confortavelmente, o que temos alguma dificuldade com a adega atual”.

No início de 2014, a empresa iniciou uma parceria com o conceituado enólogo e consultor francês Hubert de Boüard, tendo em vista tirar partido do saber e da experiência do novo parceiro na produção de vinhos brancos e tintos de qualidade superior. O objetivo era, também, alargar a rede de influência da Poças Júnior. “Quando iniciamos o projeto dos DOC Douro, em 1990, as nossas vendas eram 100% realizadas no mercado nacional. Hoje, mais de 90% é exportação. Sentimos que nos mercados onde o consumidor nos conhece como produtor de vinho do Porto, e Portugal é um bom exemplo, temos mais dificuldade em nos afirmarmos com os DOC Douro. É uma questão de perceção do consumidor, que é sempre difícil de alterar. Também neste ponto a parceria com o Hubert de Boüard é importante”, sublinha diz Pedro Poças Pintão.

Os primeiros DOC Douro resultado desta parceria começam, agora, a aparecer no mercado. Mas o trabalho “ainda vai no início” e a aposta “requer tempo”. Até porque “é preciso fazer um processo de aprendizagem mútua”. De qualquer forma, o balanço “é muito positivo”. “Para além de termos ao nosso lado uma equipa extremamente bem preparada, beneficiamos de um forte efeito sinalizador do nosso compromisso em apostar na qualidade dos DOC Douro”, frisa.

Já no vinho do Porto, a aposta passa por “capitalizar a forte reputação que temos na categoria de Colheitas”, frisa este responsável, sublinhando que, em 2015, a empresa deverá praticamente duplicar o volume de vendas nesta categoria, que apresenta “uma enorme margem de progressão no futuro”.

Presente em 30 mercados, com especial destaque para a Holanda, Bélgica, Dinamarca, Canadá e Brasil, a Poças Júnior conta ter fechado o ano com um volume de negócios acima dos 7,5 milhões de euros, o que representará um crescimento de 6% face a 2014.

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