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Pontos essenciais: Principais dados económicos e financeiros sobre a TAP

Fotografia: Regis Duvignau/ Reuters.
Fotografia: Regis Duvignau/ Reuters.

Transportadora aérea tem um peso assinalável na economia nacional, com 9.000 trabalhadores e um peso no PIB de 2%.

A TAP, que voltou à esfera pública em 2016, tem um peso assinalável na economia nacional, com 9.000 trabalhadores e um peso no PIB de 2%, tendo em curso um plano de expansão da frota e de destinos.

Contudo, a companhia aérea de bandeira tem também estado no centro das atenções por razões menos positivas, como greves, problemas operacionais, uma polémica atribuição de prémios e recentes rumores de alterações acionistas.

Eis alguns pontos essenciais sobre a companhia aérea:

+++ Estrutura acionista e participadas +++

A TAP S.A., que é a companhia aérea, é detida integramente pela ‘holding’ TAP SGPS, S.A..

Os acionistas do grupo são públicos e privados, sendo que 50% está nas mãos da Parpública, sociedade que detém as participações do Estado, e 45% estão nas mãos do consórcio Atlantic Gateway, detido por Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, e pelo empresário David Neeleman, com interesses no setor da aviação, incluindo na companhia Azul. Os restantes 5% do capital estão nas mãos de uma minoria de acionistas, como os trabalhadores do grupo.

A TAP foi privatizada pelo Governo de Passos Coelho, mas, em 2016, na primeira legislatura liderada por António Costa, este processo foi revertido.

O grupo TAP tem várias participadas, com negócios ligados à atividade principal, do transporte aéreo. De acordo com a apresentação publicada pela companhia na CMVM, o grupo inclui as seguintes subsidiárias: TAPGER — Sociedade de Gestão e Serviços, S.A., Portugália — Companhia Portuguesa de Transportes Aéreos, S.A., CateringPor — Catering de Portugal, S.A. , Megasis-Sociedade de Serviços e Engenharia Informática, S.A., UCS — Cuidados Integrados de Saúde, Aeropar, Participações, S.A. e TAP-Manutenção e Engenharia Brasil, S.A.. O grupo é ainda responsável por uma participação de 43,9% no capital da Groundforce, empresa de ‘handling’ (prestação de serviços aeroportuários), sendo que a sua participada Portugália detém outros 6% nesta companhia.

+++ Dimensão +++

Fundada em 1945, a TAP é a companhia aérea de bandeira portuguesa, com operações no transporte de passageiros, carga e manutenção.

Em 30 de setembro, a empresa tinha uma rede composta por ligações a 93 aeroportos, de 36 países, de acordo com informação publicada pela companhia.

A TAP estima que no final de 2018 detinha uma quota de mercado de 55% no aeroporto de Lisboa.

A companhia salienta ainda que no final dos primeiros nove meses deste ano era a “única europeia” a servir cinco dos dez maiores destinos no Brasil.

A TAP está integrada na Star Alliance, que lhe permite chegar a muitos mais destinos, através de parcerias com outras companhias aéreas.

Desde 2015, e até setembro deste ano, segundo os mesmos dados, a TAP aumentou a sua frota em 31 aeronaves, para um total de 108, sendo que os planos atuais apontam para 115 aviões em operação até 2019. Há apenas um ano, a idade média da frota de longo curso era de 15 anos e agora é de 3,9 anos, segundo um comunicado da TAP.

Nos 12 meses que terminam em 30 de setembro deste ano, segundo os últimos dados, a TAP transportou 16,6 milhões de passageiros, face aos 11,3 milhões registados em 2015. Em 2018, a empresa transportou 15,8 milhões de passageiros, segundo o seu relatório e contas desse ano.

+++ Gestão +++

O Conselho de Administração da TAP SGPS tem 12 elementos, liderados por Miguel Frasquilho, presidente, e Antonoaldo Neves, presidente da Comissão Executiva (CE) da empresa. Os vogais da CE são David Pedrosa e Raffael Quintas Alves (‘chief operating officer’, ou administrador com o pelouro financeiro), sendo os restantes vogais Ana Pinho Macedo Silva, António Gomes de Menezes, Bernardo Trindade, David Neeleman, Diogo Lacerda Machado, Esmeralda Dourado, Maximilian Otto Urbahn e Humberto Pedrosa.

Seis destes administradores foram nomeados pelo Estado, mas não têm funções executivas, o que quer dizer que a estratégia e operação da empresa são da responsabilidade dos gestores nomeados pelos privados.

Em cargos executivos estão ainda o ‘chief technical officer’ (responsável pela área técnica), Mário Lobato de Faria, ‘chief operating officer’ (responsável pelas operações), Ramiro Sequeira, e o ‘chief revenue officer’ (responsável pelas receitas), Arik De.

+++ Resultados +++

Em 2015, a TAP SGPS obteve um prejuízo de 156 milhões de euros, tendo a S.A. registado 99 milhões de euros negativos, de acordo com o relatório e contas publicado no ‘site’ da empresa.

Este cenário iria repetir-se durante os anos seguintes, com exceção de 2017, ano em que a TAP S.A. conseguiu um lucro de mais de 100 milhões de euros, com a SGPS a reportar resultados positivos de 21,2 milhões de euros. Em 2018, a SGPS regressou ao vermelho, com prejuízos de 118 milhões de euros (a S.A. atingiu os 58,1 milhões de euros negativos).

Nos primeiros nove meses deste ano, os resultados da TAP S.A. foram negativos em 111 milhões de euros.

A contribuir para estes resultados estiveram problemas operacionais, que reduziram a pontualidade da companhia aérea, complicados por greves e cancelamentos, que levaram ao pagamento de indemnizações de vários milhões de euros, um cenário que marcou 2018.

As receitas do grupo no final de 2018 atingiram os 3,2 mil milhões de euros, de acordo com o relatório e contas.

+++ Rotas +++

A rede da TAP inclui os aeroportos do Porto, Lisboa, Faro e ainda quatro ilhas nos Açores e Madeira, de acordo com o relatório que a empresa publicou. Os destinos externos até ao dia 30 de setembro incluem 49 aeroportos na Europa, fora de Portugal, 10 destinos no Brasil, 17 em África e oito na América do Norte.

Para 2020, a companhia aérea planeou novas rotas, mas também mudanças nas que opera atualmente.

A TAP vai lançar uma nova ponte aérea para Madrid a partir de Lisboa e do Porto, em 2020, e cancelar a operação em London City. Assim, a empresa irá ainda redirecionar “a capacidade dos voos Porto-Barcelona e Porto-Lyon, suspendendo a operação nesses mercados, que conta com ampla oferta da concorrência, para construir a novíssima ponte aérea entre Porto e Madrid, que contará com seis frequências diárias, mais que o dobro da oferta atual”. Estas mudanças irão ainda permitir o aumento das ligações entre o Porto e o Funchal, fazer a operação diária do Porto-Newark (EWR) e a quarta frequência semanal Porto-São Paulo.

Na capital, “a capacidade dedicada a Estugarda, Colónia e Basileia, será redirecionada para outros mercados. Será criada uma nova ponte aérea ligando Lisboa a Madrid”, segundo na mesma nota. A companhia aérea lança também “uma nova rota para Santiago de Compostela, e reforça outras ligações a Espanha, acrescentando voos diários entre Lisboa e as cidades de Barcelona (seis para sete diários), Bilbau, Valência e Málaga, todos de dois para três diários, e Sevilha (de três para quatro voos diários). Também Casablanca, a maior cidade de Marrocos, contará com mais uma frequência diária à saída de Lisboa, melhorando assim a conectividade com a rede intercontinental da TAP”.

A TAP planeia ainda reforçar os voos para Telavive, de um para dois diários e irá reforçar nos EUA, “duplicando as frequências diárias entre Lisboa-Nova Iorque (JFK), além do voo Lisboa-Newark (EWR) e do Porto-Newark (EWR), que passa a ser diário. Miami receberá dez voos por semana, em vez dos atuais sete. Também as novas rotas de Washington D.C. e Chicago passarão a contar com voos diários”, informou a companhia aérea. No Brasil contará com cinco voos semanais para Natal e Belém, em cada um dos destinos, face aos três atuais.

+++ Trabalhadores e ‘peso’ na economia +++

No dia 30 de setembro de 2019, a companhia aérea contava com perto de 9.000 funcionários, sendo que o grupo empregava, no total, 10.844 pessoas. Desde 2017, a empresa contratou mais 2.526 funcionários em várias áreas.

Segundo o mesmo relatório publicado na CMVM, a TAP contratou no ano passado mais 300 pilotos e 1.000 tripulantes, tendo, este ano, colocado ao serviço mais 816 pessoas. Para 2020, os planos da TAP passam por contratar mais de 1.000 funcionários, dos quais mais de 140 serão pilotos.

No final de 2018, a empresa estimava ter um peso de 3,5 mil milhões de euros no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, ou 2%, segundo informação da TAP.

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