Automóvel

Porto tem mais carros por habitante do que Lisboa

( Igor Martins / Global Imagens )
( Igor Martins / Global Imagens )

Impacto do turismo e do crescimento da economia explicam vantagem da Invicta. Nunca houve tantos automóveis a circular.

Cada pessoa que mora no distrito do Porto tem, em média, mais carros do que quem mora no distrito de Lisboa. Há 1,9 veículos por cada residente a norte; a sul, há 1,8 veículos por cada cidadão. Os dados são da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, que divulgou esta semana o estudo anual sobre o setor. Os números também revelam que a quota de mercados dos carros a gasóleo caiu para os 60,9% no ano passado e que os portugueses têm automóveis cada vez mais velhos.

O impacto da atividade económica explica a maior densidade de carros no Porto. “Nos últimos anos, Lisboa já estava num patamar de desenvolvimento superior ao do Porto. Mas o Porto teve um boom turístico nos últimos anos com mais impacto que em Lisboa”, entende Helder Pedro.

O secretário-geral da ACAP acrescenta que em vários concelhos do Porto, como Gaia, Vila do Conde e Maia, “tem havido maior aceleração da economia” do que nos concelhos de Lisboa. Mas não é nem no Porto nem em Lisboa que há mais carros por habitante: é nas ilhas dos Açores e da Madeira (2,1 automóveis por residente) e no distrito de Setúbal (dois veículos por morador).

Nunca houve tantos carros ligeiros e pesados a circular nas estradas de Portugal: em 2017, havia 6.041.200 veículos no parque automóvel português. Quebrou-se o anterior máximo, que já datava de 2011, antes de um dos piores anos de sempre para o setor. A recuperação do mercado automóvel nos últimos anos contribuiu para este desempenho.

No ano passado, a maioria dos carros comprada pelos portugueses foi a gasóleo. Mas este combustível voltou a perder poder no mercado dos novos: no ano passado, a quota de mercado dos Diesel novos caiu pelo quarto ano consecutivo, para 60,9%. Em 2013, 72,3% dos novos carros moviam-se com este combustível.

“A quebra da quota de mercado dos diesel é uma tendência europeia, à qual Portugal não foge”, destaca o mesmo dirigente. Em comparação com outros países, ainda assim, Portugal tem a segunda maior quota de carros a gasóleo da Europa; só na Irlanda é que circulam mais carros a gasóleo (65,2% do mercado) no Velho Continente, segundo os dados da ACEA, a associação que representa as fabricantes de veículos europeias.

A gasolina recuperou alguma da velocidade que tinha perdido no início da década: no ano passado, valeu mais de um terço (34,4%) do mercado dos automóveis novos; em 2013, representava pouco mais de um quarto do mercado (25,7%), poucos anos antes de se iniciar o cerco das autoridades europeias ao gasóleo.

A perda de influência do gasóleo também está a levar ao crescimento do mercado das energias alternativas: os carros híbridos, elétricos e a gás natural representaram 4,7% dos automóveis comprados no ano passado. “Este mercado está a ser dinamizado sobretudo pelas empresas, que têm vários benefícios na compra de carros elétricos”, recorda o representante da ACAP.

Só que os incentivos para trocar de carro apenas servem para a aquisição de automóveis totalmente elétricos, que ainda não estão acessíveis a muitas carteiras. A ACAP tem proposto o regresso dos incentivos ao abate para carros a combustão “mas o Governo não tem dado sinal de aceitar a proposta”.

Sem apoios, diz a associação, os portugueses terão carros cada vez mais velhos: em 2017, cada automóvel ligeiro em Portugal tinha, em média, uma idade de 12,6 anos, enquanto em 2016 era de 12,5 anos. “A perda de mercado dos anos da recessão ainda não foi recuperada”, explica ainda Hélder Pedro.

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