Indústria

Portucel tem de pagar imposto de 30% para exportar para os EUA

Portucel mantém colaboração com autoridades norte-americanas
Portucel mantém colaboração com autoridades norte-americanas

A Portucel deverá pagar até ao final do ano uma taxa extraordinária de 29,53% nas exportações de pasta e papel para o mercado dos EUA. Este imposto temporário, que será pago sob a forma de taxa aduaneira, o que vai encarecer as vendas da papeleira, foi definido na quinta-feira pelo Departamento de Comércio norte-americano, que determinou margens provisórias a diversas empresas exportadoras, acusadas de práticas de dumping, ou seja, de vendas abaixo do custo.

A empresa portuguesa, que exportou para os EUA no ano passado 157 300 toneladas de papel, no valor de 163,5 milhões de dólares, pouco menos de 150 milhões de euros, contesta o processo aberto pelas autoridades norte-americanas no início de fevereiro e critica a abordagem do Departamento do Comércio dos EUA. “Parte do cálculo do Departamento de Comércio [dos EUA] alicerçou-se em deduções, de natureza adversa, usadas em substituição de determinadas informações que entendeu estarem em falta na informação providenciada. A companhia não concorda com esta abordagem e está já a providenciar as devidas explicações ao Departamento de Comércio, demonstrando a sua razão”, diz a Portucel em comunicado enviado ontem à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A taxa instituída nos EUA destina-se a proteger as empresas locais da concorrência desleal e a evitar que o papel seja vendido abaixo do preço de custo. As autoridades norte-americanas irão iniciar em setembro a verificação no terreno para avaliar a taxa antidumping para este mercado. A empresa liderada por Diogo da Silveira garante que “irá prestar, como fez até agora, toda a colaboração necessária“. A International Trade Administration indica que o anúncio dos resultados finais da investigação está agendado para 7 de janeiro de 2016.

A Portucel defende-se, alegando que a taxa extraordinária aplicada às suas exportações é a “mais baixa de todas as aplicadas aos diversos países visados no processo, que em alguns casos ultrapassou os 190%”. No caso das exportações da Indonésia e da China foram determinadas taxas de 131% e de 126%, respetivamente.

A empresa salienta ainda que tem vindo a desenvolver a sua atividade comercial nos EUA ao longo dos últimos 15 anos e que o sucesso da sua estratégia tem sido “sustentado nas vendas para o segmento de papel premium, com preços médios mais de 10% acima do benchmark (preço médio) do mercado norte-americano”.

O Ministério da Economia, contactado pelo Dinheiro Vivo, recusou-se a comentar o caso da Portucel nos Estados Unidos. Em fevereiro, quando foi tornado público o processo da empresa portuguesa, o gabinete de António Pires de Lima referiu estar “a acompanhar o assunto pelos canais oficiais e em articulação direta com o sector”. Não existe “qualquer razão para considerar a existência de dumping de empresas portuguesas”. Os investimentos do sector papeleiro “não deverão estar em risco”, uma vez que “estão alicerçados em estratégias de produção e exportação diversificadas”, acrescentou fonte oficial em declarações ao Diário Económico, a 13 de fevereiro.

O processo de investigação anti-dumping foi iniciado a 21 de janeiro de 2014 após uma queixa apresentada por um grupo de produtores de papel de escritório norte-americano e um conjunto de sindicatos da indústria para a investigação de alegadas práticas de vendas abaixo do preço de custo nas importações de papel de formatos provenientes da Austrália, Brasil, China, Indonésia e Portugal.

A Portucel iniciou no final de 2014 um investimento de 110 milhões de dólares (cerca de 89 milhões de euros) numa fábrica para produzir madeira compactada (pellets).

A empresa liderada por Diogo da Silveira, que adquiriu no início de fevereiro uma fábrica de papel tissue por 80 milhões de euros localizada em Vila Velha de Ródão, vai apresentar as contas dos primeiros seis meses de 2015 na quarta-feira. No primeiro trimestre, a papeleira reportou lucros de 41,78 milhões de euros. Subida de 2,3% face a igual período do ano passado devido ao aumento da pasta de papel e da subida do dólar, que beneficia o comércio fora de Portugal.

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