Tecnologia

Portugal dá primeiro passo ‘gigante’ na área da computação quântica

IBM Q
A investigadora Katie Pooley, da IBM, examina o aparelho que serve para manter temperaturas muito baixas - crióstato - de um protótipo de um computador quântico comercial. Foto: IBM / Flickr

Além de colocar o nome de Portugal no mapa da investigação quântica, esta parceria pode ajudar a fixar profissionais qualificados.

O consórcio português QuantaLab, liderado pela Universidade do Minho e composto por mais três entidades, faz agora parte daquela que é a maior rede internacional de computação quântica. Com a entrada no IBM Q Network, enquanto parceiro académico, este consórcio coloca pela primeira vez o nome de Portugal em destaque naquela que é vista como uma das grandes tecnologias do futuro.

“A computação quântica torna possível resolver problemas que não podemos resolver com as máquinas clássicas”, explicou ao Dinheiro Vivo o professor Luís Soares Barbosa, do departamento de informática da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e investigador do HasLab. “É uma oportunidade muito interessante. Em Portugal é o primeiro acesso a uma máquina quântica já com alguma expressão”.

Um computador quântico funciona de forma diferente de um computador tradicional. Enquanto os computadores que usamos no dia a dia processam a informação em dígitos binários (bits), os computadores quânticos processam a informação em qubits (bits quânticos). Num computador tradicional a informação é processada em 0 e 1, já num computador quântico a informação pode ser 0 e 1 ao mesmo tempo, o que aumenta de forma exponencial a capacidade de processamento de informação.

“A computação quântica permite passar de uma escala de complexidade exponencial, intratável, para uma escala de complexidade dos problemas muito mais tratável. O nosso objetivo e o nosso desafio é mostrar que há determinadas áreas e determinados algoritmos onde essa vantagem da computação quântica se pode traduzir em qualquer coisa muito real”, acrescentou o investigador.

Luís Soares Barbosa revelou ao Dinheiro Vivo que os trabalhos do QuantaLab no computador quântico da IBM arrancam em setembro e numa primeira fase vão ser feitos com uma capacidade de processamento de 20 qubits. Mais tarde, o objetivo é fazer as investigações numa máquina de 50 qubits, um dos modelos quânticos mais avançados do mundo.

“Estamos neste momento a constituir uma pequena rede com alguns parceiros industriais e diria que a partir de setembro vamos ter pessoas a trabalhar em casos de estudo nesta plataforma”.

Além da Universidade do Minho (UM), do QuantaLab fazem parte o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA).

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A plataforma IBM Q despertou o interesse da QuantaLab não só pelo poder de processamento, mas também pela rede de parceiros que inclui nomes como a Samsung, JP Morgan Chase, Daimler e Universidade de Oxford. “O objetivo não é apenas utilizar uma máquina, o objetivo é criar e reforçar um ecossistema de investigação na área do quantum. Pareceu-nos que era a maneira mais expedita e mais aberta de fazermos esta entrada”, explicou.

O professor da UM acredita ainda que esta primeira aposta na computação quântica vai ajudar a fixar talento em Portugal. “Muitos jovens qualificados que estão a trabalhar em ciências da computação, em física e matemática, encontram aqui um domínio de investigação, de investigação aplicada e mesmo de desenvolvimento que, mais tarde, poderá ser muito relevante”.

Uma das áreas na qual a computação quântica pode mostrar, a curto prazo, o seu potencial é na segurança informática. Os algoritmos de encriptação usados atualmente para proteger as informações que existem nos computadores e smartphones podem, em teoria, ser facilmente quebrados através de um computador quântico.

“Por isso mesmo é que já se começa a falar, a estudar a criptografia pós-quântica, que é para saber como vamos conseguir sobreviver com dados seguros e com informação segura quando a computação quântica for uma realidade”.

Na opinião do especialista, esta realidade não estará a muitos anos de distância. “Estamos a falar de uma mudança muito grande no paradigma da computação e também no conjunto de possíveis aplicações destas tecnologias que serão, a meu ver, absolutamente disruptivas e num horizonte temporal não muito extenso”, salientou.

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