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Portugal destrona Itália na produção de bicicletas em 2019

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Produção nacional teve volume de exportação de 400 milhões em 2019. Bicicletas elétricas ganham força.

Portugal foi, no ano passado, o maior produtor de bicicletas na União Europeia (UE). Os dados do Eurostat, que comparam a produção entre os membros da UE revelam que os quase 2,7 milhões de velocípedes produzidos em Portugal em 2019 ultrapassaram os números de Itália, habitualmente a maior produtora, que registou números de 2,1 milhões. Em anos anteriores, Portugal ocupava já o lugar de segundo maior produtor a nível europeu.

Feita a comparação com 2012, quando Portugal produziu 1,1 milhões de bicicletas, os números do ano passado revelam uma subida de 138% – uma diferença de mais 1,5 milhões de bicicletas. Face a 2018, quando foram fabricadas 1,9 milhões de bicicletas, Portugal aumentou num ano a produção em mais de 730 mil unidades.

Gil Nadais, presidente da ABIMOTA (Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins), refere que os números são “a prova da resposta qualitativa em Portugal, onde nos últimos anos são produzidas bicicletas de cada vez maior valor acrescentado”. O presidente da associação refere que, em 2019, “o volume de exportações foi de mais de 400 milhões de euros”. Deste montante, mais de 10% diz respeito às bicicletas elétricas, com 52 milhões de euros. Se entre 2017 e 2019 o volume de exportação deste tipo de bicicletas passou dos 19 para 52 milhões de euros, a expansão das elétricas não é sinónimo de esquecimento da bicicleta convencional. “Contrariamente a outros países, onde a produção de bicicletas convencionais decresceu, em Portugal continuou bastante alta e subiu 3%.”

Apesar da pandemia, que obrigou os produtores nacionais a paragens, os números deste ano podem aproximar-se dos de 2019. “Se no primeiro semestre em bicicletas elétricas estamos a exportar mais ainda, penso que iremos ter uns números no final do ano muito próximos ou mesmo superiores aos números do ano passado, apesar da interrupção.”

Os cinco maiores produtores europeus asseguraram 70% da produção de bicicletas europeia em 2019. Com um total de 11,4 milhões, os números de produção de bicicletas têm crescido anualmente: 5% e 10% face a 2018 e 2014, respetivamente. No entanto, valor de 2019 está 17% abaixo do pico de produção em 2015.

Apoio às bicicletas convencionais “não é correto”

A ABIMOTA considera que o “setor das bicicletas ainda não foi olhado devidamente pelo Governo”. Em relação aos subsídios para aquisição de bicicletas, Gil Nadais reconhece que “face ao contexto português ainda é considerado aceitável” o incentivo dado à compra de bicicletas elétricas, que pode ir até um apoio de 50%, no valor máximo de 350 euros.

“Não achamos que esteja correto é o apoio que é dado às bicicletas convencionais: ter um apoio que pode ir no máximo até 100 euros concordamos; agora uma percentagem no máximo de 10% é que não”, explica Gil Nadais. “A percentagem devia ser 50% também. Há aqui uma questão de justiça social, inclusivamente. As camadas mais baixas da população são aquelas que dispõem de menos dinheiro e, com cem euros, poderiam comprar uma bicicleta de 200. Agora comprar uma bicicleta de 100, que já é difícil, porque será um artigo bastante fraco, mas comprar uma bicicleta de entrada de gama, digamos de 200 euros, e ter um subsídio só de 20 euros não compensa e não é incentivador”, exemplifica o responsável.

Além disso, o presidente da ABIMOTA menciona ainda outros pontos que “continuam por resolver”. “Por exemplo, fazer entregas de bicicletas, que é algo que está a aumentar muito na Europa e em Portugal também: quem compra uma bicicleta e a usa para fins profissionais não pode deduzir o IVA”, aponta. “Se for uma reparação numa bicicleta também não pode ser deduzida no IRS, todas as outras podem.”

“Entendemos que há uma discriminação e que o setor das bicicletas ainda não foi olhado devidamente pelo Governo. E são medidas pequenas, mas que podem ter grande impacto na vida, no apoio e no incentivo à utilização da bicicleta.”

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