Telecomunicações

Portugal é o “segundo país europeu com preços mais baixos” nas telecomunicações

Crédito: Unsplash
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Apritel, associação que representa os operadores encomendou estudo que faz revelações diferentes dos dados da Anacom.

A Apritel decidiu “comparar maçãs com maçãs” e dedicou-se a estudar quanto pagaria um consumidor português pelos mesmos serviços de telecomunicações se vivesse noutro país da União Europeia. O resultado? Paga um valor 20 a 34% mais baixo nos pacotes de 4P e 3P, os mais usados, e é o segundo país com preços mais baixos dos 10 analisados a nível europeu. Mais baixo só mesmo a França.

O resultado do estudo, encomendado pela Apritel à Deloitte, contraria os números divulgados trimestralmente pela Anacom, com base nos números do Eurostat, onde Portugal fica acima da média europeia.

“Estamos a olhar para maçãs, com maçãs e não maçãs com peras, não é para contrapor com o que quer que seja”, reage Pedro Mota Soares, secretário-geral da Apritel, quando questionado pelo Dinheiro Vivo sobre se esta era uma resposta aos números divulgados pelo regulador. “A Anacom é parceira da Apritel e a Apritel é parceira da Anacom”, reforça.

pacote 3P

A Apritel quis saber como Portugal se comparava com o resto da Europa pelos mesmos serviços mais usados, pacotes 3P e 4P, oferta que é usada por mais de 80% dos consumidores nacionais. “E Portugal compara bem. É o segundo país que tem os preços de telecomunicações mais baixos”, assegura Pedro Mota Soares.

Em média, em Portugal os consumidores pagam 38,60 euros por um pacote 3P, menos 34% do que face à media de outros 10 países europeus analisados. Mais baixo, só a França, com uma média de 31,52 euros. No extremo oposto surge a Bélgica, com um valor de 73,65 euros, acima da média europeia de 58,05 euros.

pacote4p

O cenário repete-se nos pacotes 4P, com os consumidores portugueses a pagar 59,94 euros, menos 20% do que a média europeia. França volta a ser, entre os 10 analisados, o mais baixo com uma média de 47,38 euros. No extremo oposto está a Hungria com os consumidores deste país a pagar 100,34 euros, acima da média europeia de 75 euros.

Os resultados contrariam os estudos divulgados trimestralmente pelo regulador com base em dados Eurostat, onde Portugal surge invariavelmente como um dos mais caros da Europa. Mas não são estudos comparáveis, já que têm metodologias de análise de diferentes. O do Eurostat é por cabaz de consumo e cobrindo a totalidade dos países da UE, enquanto o realizado pela Deloitte analisa 10 mercados e compara serviços idênticos, com os valores apresentados a refletir a paridade do poder de compra de cada país. Os mercados escolhidos – Áustria, Alemanha, Irlanda, Reino Unido, Estónia, Espanha, Bélgica, Países Baixos, Hungria e França – foram escolhidos por serem aqueles que, em termos de qualidade e diversidade de oferta de serviços de telecomunicações, são os mais próximos da realidade nacional.

“Vamos continuar a acompanhar (este tema dos preços das telecomunicações), mas não temos capacidade de produzir estudos de três em três meses”, diz Pedro Mota Soares, quando questionado pelo Dinheiro Vivo sobre se havia intenção da associação dos operadores de produzir este tipo de estudos com regularidade.

“Portugal tem os preços mais baixos quando comparados com o poder de compra”, reforça o secretário-geral da Apritel, apesar dos elevados níveis de investimento do sector, mil milhões de euros ano, com uma média de 23% dos proveitos a serem reinjetados na operação.

Pedro Mota Soares não quis comentar se com o investimento que vai ser exigido pelo 5G aos operadores (o leilão arranca em abril) se Portugal continuará a ter um dos preços mais baixos da Europa. “O estudo é sobre o mercado atual, não é sobre o 5G”.

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