Espaço

Portugal é o único país do Sul da UE mantém investimento no Espaço

O Sentinel tem participação portuguesa
O Sentinel tem participação portuguesa

Entre os países resgatados pela troika
no sul da Europa, Portugal foi o único que aumentou a sua
contribuição para a Agência Espacial Europeia (ESA). O orçamento
para o triénio 2013-2016 subiu 20% para 17,5 milhões de euros, uma
participação que garante às empresas portuguesas do sector
espacial poderem concorrer aos projetos da ESA.

Em sentido contrário, a Grécia
abandonou a subscrição de programas na Agência Espacial Europeia e
a Espanha optou por um corte dramático da contribuição, baixando
de cerca de 300 milhões de euros para 80 milhões até 2016.

“Não é aquilo que nós queríamos,
mas dadas as circunstâncias não foi mau, tendo em conta que Espanha
teve uma redução drástica da contribuição e que a Grécia
subscreveu zero”, afirma ao DN/Dinheiro Vivo António Neto da
Silva, presidente da única associação portuguesa do sector,
Proespaço. A proposta da associação pedia um orçamento de 36,7
milhões de euros ao governo de Passos Coelho, mas tal não foi
possível. Aliás, a participação de Portugal nos programas da ESA
esteve mesmo em risco de acabar.

“Em outubro de 2011, aquilo que me
foi transmitido pela secretária de Estado da Ciência [Leonor
Parreira] é que não havia dinheiro e que havia toda a probabilidade
de sairmos da ESA”, lembra António Neto da Silva. Alarmada, a
Proespaço elaborou uma estratégia para o sector e entregou-a ao
governo a 2 de janeiro de 2012. “Depois tivemos reuniões com os
ministros envolvidos, com os secretários de Estado, comissões
parlamentares e o presidente da República. Felizmente ficaram
sensibilizados.”

Este orçamento é para os próximos
três anos e garante ao cluster espacial que existe em Portugal a
continuidade nos projetos europeus. “É importante porque hoje em
dia Portugal recupera duas vezes esse valor que coloca, a indústria
nacional e a ciência nacional recuperam”, considera Marco Costa,
CEO da Critical Software, tecnológica que tem no Espaço uma das
principais áreas. “Obviamente isso abre à Critical e a um
conjunto de empresas a possibilidade de lutar para conseguir um lugar
num conjunto de projetos”, acrescenta. A empresa de Coimbra está a
fazer o sistema central que vai controlar o Sentinel 3, que faz parte
de um conjunto de satélites de observação da Terra.

Carlos Oliveira, secretário de Estado
do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação esteve envolvido no
processo e clarificou ao DN/Dinheiro Vivo que a contribuição foi
assegurada por se tratar de “um tema importante para o país.” O
responsável, que está de saída do Governo, sublinhou que “a
presença de Portugal nestes consórcios é muito importante para o
futuro da nossa ciência, inovação e empreendedorismo num sector
muito relevante.” Reconhecendo que “o país vive um momento muito
complexo” e não foi fácil assegurar orçamento, Carlos Oliveira
confirma que foram ouvidas as entidades do sector e reconhecida a sua
importância. “É um sector exportador numa pequena escala, um
nicho importante pelo conhecimento e pelos efeitos de spill over que
pode gerar.”

No total, o orçamento da ESA para o
triénio até cresceu bastante, passando de pouco mais de três mil
milhões para dez mil milhões de euros. A Irlanda, um dos países
resgatados pela troika, decidiu investir 17 milhões de euros por
ano, somando 51 milhões de euros até ao próximo orçamento.

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