competitividade

Os obstáculos que impedem Portugal de ser mais competitivo

Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens
Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens

Portugal ficou no 46.º lugar do ranking do Fórum Económico Mundial em 2016. Documento será revelado entre setembro e outubro

Portugal deverá subir vários lugares no ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla original). A menos de seis meses da publicação do relatório de 2017/2018, há vários sinais que indicam que o nosso país poderá recuperar alguns postos face a 2016, em que ficou na posição 46. Esta é a convicção de António Correia, sócio da consultora PwC em Portugal, e de Ilídio Serôdio, presidente da Associação para o Desenvolvimento da Engenharia (Proforum).

“Acredito que Portugal tem todas as condições para melhorar no ranking“, entende António Correia. “Caímos no índice por uma questão conjuntural, porque o Governo tinha acabado de ser empossado e o suporte de maioria dava indicações de instabilidade, segundo os inquiridos”, recorda o sócio da PwC em Portugal, à margem de uma sessão de debate e esclarecimento sobre a competitividade em Portugal, na escola de negócios AESE, em Lisboa.

Ilídio Serôdio corrobora a convicção de António Correia mas deixa um aviso. “Há países na Ásia que rapidamente nos podem ultrapassar. Temos de digerir essas diferenças”. Ou seja, Portugal até pode ganhar pontos na classificação do WEF mas isso poderá não significar uma grande recuperação no ranking em termos de posições.

Para os dois responsáveis há vários fatores que podem contribuir para uma melhoria da pontuação de Portugal no ranking da competitividade:

TurismoApesar de Ilídio Serôdio considerar que este fator é “algo de moda”, o turismo está a bater recordes, quer no número de visitantes quer de rentabilidade. “Respira-se o efeito do turismo, que não só traz mais rentabilidade aos hotéis como nós próprios nos sentimos melhor”, na análise de António Correia. O partner da PwC, ainda neste campo, alerta para a necessidade de informação sobre este sector;

Contas públicasDepois de Portugal ter alcançado o défice mais baixo de sempre e de a taxa de desemprego diminuir, “temos mesmo de melhorar no ranking“, entende o líder da Proforum. Para António Correia, estes dados “contribuem para aumentar a competitividade e colocar a confiança em níveis nunca antes vistos”;

Restam, contudo, “alguns sinais preocupantes” para o Governo e as instituições, no entender dos dois responsáveis. António Correia lembra que a economia portuguesa “cresce abaixo da média europeia”. Por isso, são necessárias algumas medidas para colocar o nosso país no trilho europeu:

Exportações – “Não há nenhum país competitivo na Europa ou no mundo que não tenha uma percentagem do PIB nas exportações superior a 50% ou 60%; Portugal está no patamar dos 40%”. O partner da PwC recomenda, por isso, uma melhor “finalização” às autoridades: “é preciso converter o esforço do Governo em resultados. Temos de captar mais investimento estrangeiro que permita gerar mais emprego e não só privatizações”;

Inovação – Apesar do esforço nos últimos anos, “ainda faz-se muito pouco na transformação da inovação e da investigação das universidades nas empresas”. António Correia sugere a existência de incentivos para as microempresas;

Formação – “Os gestores dizem-nos que não têm talento adequado às empresas”, entende o sócio da PwC. Para Ilídio Serôdio, “as empresas não estão a aproveitar os talentos saídos das universidades” e a formação “deve ser mais sofisticada”, até para competir com outros países mais avançados.

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