Portugal puxa pelos resultados do Bankinter

Maria Dolores Dancausa faz um balanço "enormemente positivo" da entrada do banco no mercado nacional.

O Bankinter alcançou em 2016 um lucro de 490 milhões de euros, o mais alto de sempre da história do banco. O valor foi 30,4% superior ao registado no período homólogo, e foi impulsionado pela operação do banco em Portugal, onde entrou a um de abril do ano passado após ter adquirido o negócio do Barclays por 86 milhões de euros.

Na apresentação das contas anuais do banco, que teve lugar esta quinta-feira em Madrid, Maria Dolores Dancausa, líder executiva da instituição financeira, salientou o "desempenho satisfatório" do banco no exercício que terminou a 31 de dezembro de 2016.

Sem contar com a operação portuguesa, o banco registou lucros de 426,5 milhões de euros, mais 13,4% face ao ano anterior.

Os ativos totais do grupo cresceram 14,5% em 2016 para 67,182 milhões de euros. Já o volume de crédito a clientes subiu 16,2% para mais de 51 mil milhões de euros.

A concessão de crédito a empresas continua a suportar a margem bruta do banco, apesar de ter registado um recuo de 2% no exercício.

No total, a carteira de crédito a empresas atinge os 21,7 mil milhões de euros, sendo que Portugal representa uma percentagem residual de apenas 700 milhões de euros.

Balanço "enormemente positivo"

Ainda assim, em nove meses de operação em Portugal, o Bankinter registou um aumento de 24% nos recursos de clientes para os 3,7 mil milhões de euros. O crédito aumentou 3% e a margem bruta foi de 90,2 milhões de euros.

No total, o resultado líquido do Bankinter Portugal em 2016 foi de 96,3 milhões de euros, uma valor calculado com base no prémio de desconto de 143,3 milhões de euros da compra do Barclays, à qual foram retirados 41,6 milhões de euros em impostos.

O resultado da atividade económica somou 7,7 milhões de euros, sendo que o banco, cuja operação nacional é liderada por Carlos Brandão, tem como meta duplicar quota de mercado em Portugal até 2018.

Maria Dolores Dancausa faz um balanço "enormemente positivo" da entrada do banco no mercado nacional. A líder do Bankinter destaca a "equipa profissional de primeira" que encontrou no negócio de Barclays e mantém como objetivo "continuar a crescer em Portugal".

"Queremos ganhar dimensão, lançar produtos e serviços novos e ser um exemplo para o setor financeiro português. Para nós está a ser um momento de integração cultural muito enriquecedor.

Temos vontade de fazer bem e nota-se em Espanha a vontade de contribuir para o negócio de Portugal. Estamos muito contentes", sublinhou Dancausa, questionada pelos jornalistas na conferência de imprensa que sucedeu a apresentação das contas do grupo.

A responsável descarta ainda fazer quaisquer aquisições em Portugal nos próximos tempos, salientando que a aposta do grupo nos próximos anos será na integração no mercado. Dancausa garantiu ainda que o Bankinter nunca considerou a aquisição do Banif ou do Novo Banco.

Uma posição corroborada pelo CEO do banco em Portugal. Carlos Brandão salienta que o balanço do banco em Portugal está "muito concentrado nos créditos a clientes particulares" e que o objetivo para os próximos anos é aumentar o equilíbrio com o crédito a empresas.

O responsável justificou a "campanha forte" do banco no crédito à habitação, que passa por oferecer um spread de 1,25%, por ser "um negocio que queremos manter saudável".

A instituição, que se afirma como a mais rentável a operar no setor financeiro espanhol, encerrou o ano com um rácio de capital de 11,2%.

O Bankinter destaca o "forte crescimento do negócio típico com clientes", após ter garantido um aumento de 27,5% nos recursos em retalho.

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