Portugal quer fatia de milhões no turismo de saúde europeu

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Os grandes investimentos na área da saúde, em Portugal, estão feitos, há valor reconhecido internacionalmente na investigação nacional e há todo o conjunto de fatores atrativos do turismo que dão garantias de êxito à aposta no Turismo de Saúde. Esta é a posição do Health Cluster Portugal (HCP), que obteve o financiamento de 800 mil euros do QREN para o projeto dos próximos dois anos: organizar as entidades da saúde e do turismo para promover o produto e o destino.

“A partir do final do próximo ano, entra em vigor a diretiva europeia cross-border, que permite a qualquer cidadão europeu escolher onde quer obter cuidados de saúde. Isto pode ser uma oportunidade para Portugal, onde já temos bons hospitais, bons médicos e boa prestação de cuidados de saúde”, adianta Joaquim Cunha, diretor do HCP, que calcula que o negócio, com crescimentos anuais de 10% a nível mundial, possa vir a valer 160 milhões de euros só para Portugal.

O projeto “Healthy”n Portugal” começa com a reunião de vários parceiros, entre eles, além da HCP e da Associação Empresarial de Portugal, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, a Espírito Santo Saúde, os Hospitais Privados de Portugal, a José de Mello Saúde, a Santa Casa da Misericórdia do Porto (Hospital da Prelada e Hospital de Conde Ferreira), o Hospital de Santa Maria e o Grupo Vila Galé, além de hospitais públicos, como o Hospital de S. João e o Hospital de Santa Maria.

“Não é um grupo fechado e muito menos elitista. Esperamos receber mais parceiros assim eles manifestem interesse”, esclarece Joaquim Cunha.

O setor da saúde em Portugal já é, segundo o responsável, “um dos maiores exportadores nacionais, tendo um volume de negócios superior a 900 milhões de euros em 2011”, centrando-se principalmente na indústria farmacêutica, na indústria dos dispositivos médicos e de outros equipamentos de saúde. “Falta, agora, internacionalizar o conhecimento, transformá-lo em valor para não residentes”, aponta o responsável, recordando países onde é muito frequente a deslocação de turistas apenas para tratamentos médicos, como é o caso da India, de Singapura, da Malásia, do Brasil, dos EUA e, até, na Europa.

Resta saber “como vender este produto”. A promoção não é direta ao consumidor, como noutros tipos de turismo, segundo o diretor do HCP, uma vez que “há três intervenientes na saúde: o pagador (Estado ou seguradora), o beneficiário (doente) e o prescritor (médico)”. Com a experiência de quatro anos de vida do cluster, Joaquim Cunha arrisca desde já uma fórmula: “Temos de conjugar uma qualidade evidenciada com preços imbatíveis. Só depois os fatores de hospitalidade conhecidos do país e a reputação de segurança podem ajudar a vender”.

Os parceiros do “Healthy”n Portugal” colaboram, nesta fase, no intercâmbio de informação, algo que “ainda é um pouco tabú no nosso país, com receio da concorrência”, que será trabalhada por uma equipa contratada para o projeto com o objetivo de “eleger os mercados-alvo – possivelmente será o europeu e os PALOP -, atrair esses mercados, eventualmente criar uma marca nacional e um portal da saúde no país”.

A questão do negócio da saúde “nunca colocará em causa a vertente social”, segundo Joaquim Cunha. “Mas não se pode desprezar a rentabilidade da saúde e, cada vez mais, é preciso que se reconheça que há oferta excedentária e algumas situações não estarão a ser bem geridas”, alerta. Obter uma fatia do negócio do turismo de saúde poderá ser a resposta, afinal, para melhorar também os cuidados médicos disponíveis para os portugueses.

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