"Portugal tem todas as capacidades para fabricar comboios"

Presidente da CP, Nuno Freitas, sugere localização de fábrica de comboios perto do porto de Leixões, no complexo ferroviário de Leixões.

Na reabertura da oficina de Guifões, em janeiro de 2020, o primeiro-ministro e o ministro das Infraestruturas estiveram de acordo no sonho de pôr Portugal no clube dos produtores de comboios no futuro, à imagem do que fez o país com a indústria automóvel nas últimas décadas.

A ambição de António Costa e de Pedro Nuno Santos pode ganhar um novo impulso nos próximos anos graças à bazuca europeia, desejou esta terça-feira o presidente da CP, Nuno Freitas, durante um debate remoto da conferência da Plataforma Ferroviária Portuguesa.

"Portugal tem todas as capacidades para fabricar comboios. Há negócio e temos mão-de-obra mais barata do que na Europa Central", salientou o gestor ferroviário. Os 1,8 biliões do pacote financeiro para a recuperação da economia economia têm uma "forte orientação para o transporte ferroviário".

Nuno Freitas sugeriu que esta unidade pode ficar localizada no polo industrial de Guifões, em Matosinhos, com ligação ferroviária à linha de Cintura do Porto, "junto de um centro tecnológico com escola de formação [em Guifões, Matosinhos], numa área forte de forte implementação de indústria e a dois quilómetros de um porto de mar e de um aeroporto internacional".

O argumento financeiro também pode jogar a favor de uma fábrica de comboios portuguesa. Portugal precisa de comprar mais de 250 comboios nos próximos 20 anos "só para manter a oferta atual". Isto corresponde a mais de 1000 carruagens.

"Um comboio é caro. Um comboio urbano de 100 metros custa 10 milhões de euros, um comboio de alta velocidade pode custar 25, 30 ou 35 milhões de euros. É muito caro comprar comboios. Portanto, a única forma que temos de poder fazer esta renovação de frota e de apostar na ferrovia que temos em Portugal é, efetivamente, fazermos alguma coisa dentro do país com integração da nossa economia."

A CP deverá receber pelo menos 129 comboios até ao final desta década ao abrigo do programa nacional de investimentos até 2030.

Serão comprados pelo menos 62 comboios para as linhas suburbanas de Lisboa e Porto. O valor de 680 milhões de euros contempla a possibilidade de acrescentar mais 36 unidades.

Ao serviço regional vão juntar-se 55 unidades elétricas, para substituir a atual série 2240, com mais de 50 anos de serviço. Com chegada prevista a partir de 2025, estes comboios vão custar 385 milhões de euros.

Para tirar partido das novas linhas, serão comprados, no mínimo, 12 comboios de longo curso de alto desempenho. Por 650 milhões de euros, poderão ser compradas ainda mais 14 unidades da categoria Alfa Pendular.

"Basta-nos fazer a montagem dos comboios para termos muitas empresas associadas", assinalou. Nuno Freitas garantiu que a CP "vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para trazer uma grande infraestrutura de construção para Portugal".

Mais receio manifestou o presidente do Metro de Lisboa, Vítor Domingues dos Santos. "A grande dificuldade é integrar este investimento nas atuais regras comunitárias, que são muito limitadas a nível da concorrência, e que limitam o investimento público e privado."

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