Lisbon Investment Summit

Portugal, um caso de estudo na criação de startups

O Lisbon Investment Summit juntou startups e investidores estrangeiros, que consideram que a crise impulsionou o empreendedorismo no país.

A primeira aula foi sobre empregos e empreendedores. O “emprego” não voltará a ser o futuro, defendeu Marvin Liao, partner da aceleradora de topo 500 Startups, um dos locais mais apetecíveis para as startups nacionais. “Nos Estados Unidos, a criação de empresas nunca esteve com valores tão baixos. Esta geração é a menos empreendedora.” Como a economia está em alta, as pessoas não sentem a necessidade de criar o próprio emprego; a maioria quer encontrar trabalho em grandes empresas instaladas.

“Tem de acontecer uma grande recessão para as pessoas começarem a criar o seu emprego e mudarem”, disse o investidor ao Dinheiro Vivo, no Lisbon Investment Summit (LIS), encontro de investidores, executivos e startups, organizado pela Beta-i, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, e que decorreu esta semana no Hub Criativo do Beato, em Lisboa.

Ser empreendedor é para todos? Marvin Liao acredita que sim, que temos de nos tornar empreendedores e todos podemos aprender a sê-lo. “Há tantas oportunidades para criar novos negócios, mesmo que sejam pequenos negócios. E assim, se a pessoa trabalha para si própria tem o controlo da sua vida”, diz Marvin Liao, que só vê vantagens em derrubar de uma vez por todas a mentalidade dita da classe média, que passa por aconselhar os filhos a estudar e a encontrar um bom emprego. “Esta ideia está tão errada”.

Portugal, caso de estudo
Em Portugal, a onda do empreendedorismo e da criação de startups ganhou força após a crise, tal como na Grécia, considera Liao. As pessoas não têm outra opção senão criar a sua empresa.
“No passado íamos a eventos à procura de startups, hoje já não é assim; temos uma que equipa faz pesquisa de startups de forma profissional”, explicou Timothy O’Connell, responsável pela inovação aberta da H-Farm. Já não há acaso na procura de startups. “Para mim, Portugal é um caso de estudo”. O’Connell defende que os investimentos em tecnologia tiveram um papel importante na recuperação da economia do nosso país. E o que procura este investidor? “Criar projetos que gerem empregos para jovens.” Claro que o investidor espera o retorno do capital investido nas empresas que escolhe, mas garante que a criação de emprego faz parte da sua missão.

É mais fácil tornar-se global quando se nasce em países com mercados pequenos como é o caso de Portugal.

Tornar-se global
Muitos oradores no LIS defenderam que as startups não conseguem criar grandes bases se tiverem um mercado pequeno. Assim, aquelas que nascem em Portugal têm a vantagem de serem forçadas a pensar global desde o primeiro dia. “Não se consegue criar um negócio gigante num mercado pequeno”, ouviu-se no evento.

Marvin Liao participa em cerca de 50 conferências por ano. Aproveita essas viagens para fazer balanços junto das empresas em que a 500 Startups investe, e que estão por todo o mundo. Aposta na fase early stage, investindo em startups que já tenham um produto e idealmente algumas receitas. Procura fundadores fortes que estejam a trabalhar em problemas interessantes, que operem em mercados de grande dimensão. “Tudo gira à volta do fundador”, diz.

Na seleção, pergunta sobre o conhecimento que o fundador e a equipa têm do mercado a que se dirigem, dos seus clientes e de onde vem a paixão pelo negócio. São super apaixonados pelo que fazem e estão realmente preparados para trabalhar nisso nos próximos oito a 10 anos? Ou pensam vender o negócio no próximo ano? “A seleção é como um puzzle.”

Em 10 startups, diz que talvez acerte em uma. “Na maior parte das vezes não acerto. A minha expectativa é sempre que as empresas vão morrer dentro de dois anos. É essa a natureza deste negócio.”

Investir é como casar
Se os fundadores estão preparados para dar o seu melhor e mesmo assim falham, está tudo bem para Marvin. “Tenho problemas com pessoas que desistem demasiado cedo ou que me digam que querem tornar-se maiores quando na verdade não querem. Estas situações incomodam-me porque não lido bem com a desonestidade.” A questão é saber se os nossos objetivos e valores estão alinhados. “É como um casamento.”

Também o investidor Zachery Coelius acredita que encontrar uma boa startup é como encontrar a pessoa ideal para casar. Este ex-empreendedor investe em fundadores que conhece bem, e também em empresas que operem em setores onde já ganhou experiência. O que mais gosta de fazer é tentar encontrar empresas que estão a entrar num espaço emergente. Investe também em projetos com investimento de outros business angels e de capital de risco que respeita.

“Estou sempre à procura de boas empresas em todo o lado”, disse-nos Coelius. “Procurar startups para investir é como procurar a pessoa certa para casar. Não se sabe como será até se encontrar e quando se encontra é muito bom. Ainda não a encontrei nesta viagem a Lisboa, mas o meu trabalho é continuar à procura.”

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