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Português de sucesso nos EUA investe em Lagos

Nuno Battaglia com a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino. Foto: Mar2020
Nuno Battaglia com a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino. Foto: Mar2020

Nuno Battaglia investiu 16 milhões de euros numa unidade de processamento de peixe, que opera desde março.

“Nós temos um problema político. O último rei que esteve no Algarve foi D. Carlos, em 1889, quando o caminho-de-ferro chegou a Faro. E antes desse, sabe quem tinha sido o último a visitar o Algarve? O D. Sebastião!”, exaspera-se Vítor Neto, presidente do Núcleo Empresarial da Região do Algarve, confessando que ainda hoje os algarvios se sentem votados ao isolamento – exceção feita ao período das férias de verão.

No entanto, em Lagos, há quem diga que D. Sebastião regressou. Talvez não de Alcácer Quibir, mas antes do Utah, nos Estados Unidos da América. Por enquanto, Nuno está a vencer a battaglia! “A fábrica inaugurou neste ano em março e nós não tivemos dificuldade em encontrar mão-de-obra porque valorizamos muito os nossos recursos humanos. Mas reconheço que é difícil investir. Estivemos um ano parados, porque nos faltava uma licença”, adianta ao Dinheiro Vivo Nuno Battaglia, de 54 anos, chairman da Battaglia Capital que acaba de investir numa unidade de processamento de peixe, em Lagos, 16 milhões de euros, dos quais 10 milhões de capitais próprios e 6,5 milhões comparticipados com fundos do programa operacional Mar 2020.

Chama-se Congelagos, fica a três quilómetros da cidade. O principal objetivo a cumprir, garante o gestor, é o de valorizar toda a cadeia desde a produção (pesca) até ao consumidor, contribuindo para a sustentabilidade da atividade pesqueira e dos recursos existentes. As linhas já estão a funcionar com 45 postos de trabalho qualificados, que deverão aumentar para 75 assim que a fábrica passe a operar 24 horas por dia. A unidade consegue processar até trezentas toneladas de pescado por dia e armazenar até 3400 toneladas, estando concentrada sobretudo na cavala, no carapau e no polvo que se destinam, fundamentalmente, à exportação.

Recorrendo a tecnologia de ponta, incluindo alguns setores robotizados, a nova unidade é atualmente a maior da Península Ibérica e – segundo o grupo – uma das tecnologicamente mais avançadas, a nível mundial.

Mas (a) Battaglia promete não ficar por aqui: o grupo já está a investir também em aquacultura, construção, piscinas e na área do turismo, com o Presidential Train, uma experiência de gastronomia gourmet que junta um chef Michelin e um antigo comboio presidencial – uma peça de museu – na linha do Douro.

O empresário explica porque decidiu investir em Portugal, o que, para muitos, constitui um contrassenso: “Eu e a minha mulher (ela é americana, mas fala português) investimos e criámos nos EUA uma empresa de gestão de fundos de pensões e conseguimos que fosse cotada em bolsa. Correu muito melhor do que esperávamos e por isso decidimos tirar um ano de sabática em Portugal, onde eu tenho as minhas raízes. Após estarmos cá, pensámos em tudo o que existe de bom e decidimos ficar e de certa forma devolver algo que nos faz pertencer aqui.”

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