Portugueses bebiam 57 litros de cerveja antes da crise. Agora bebem 50

Setor queixa-se de IVA demasiado elevado
Setor queixa-se de IVA demasiado elevado

Nem o Campeonato Europeu de Futebol nem os dias quentes de verão ajudaram a aquecer as vendas de cerveja em Portugal.

Os dados da empresa de estudos de mercado AC Nielsen sobre o mercado cervejeiro foram um verdadeiro balde de água fria no sector: nos primeiros oito meses do ano este viu desaparecer 10% das suas vendas no mercado português.

Os primeiros sinais da crise começaram a desenhar-se no último trimestre de 2009, mas este ano “com a maior perceção do consumidor para a conjuntura” subiram para dois dígitos. “O mercado cai não só pela quebra de consumo generalizada, mas também pela descida de consumo na restauração”, adianta ao Dinheiro Vivo Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e de relações institucionais da Central de Cervejas e Bebidas, empresa que tem a Heineken como acionista.

Sintoma da crise que está a afetar o mercado cervejeiro é a diminuição do consumo per capita de cerveja. Este “caiu de 2010 para 2011 de 57 para 53 litros”. “E prevemos que este ano possa ficar abaixo dos 50 litros. Há um recuo de 20 anos no consumo de cerveja”, diz o responsável da cervejeira, que detém a Sagres, cerveja líder de mercado desde 2008 e que fechou agosto com uma quota de 45,2%, seguida da Super Bock 43,6%, da concorrente Unicer.

Para esta diminuição do consumo global de cerveja contribuiu de forma determinante o aumento do IVA na restauração em 10 pontos percentuais, para 23%. No canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés), “estratégico” e “prioritário” para este setor, Nuno Pinto Magalhães fala num “impacto enorme”: caiu 13%. Mas o consumo não se transferiu na sua totalidade para o lar. Também aqui se fez sentir a crise, com o consumo a cair 6%.

E não se trata de uma substituição de marcas de referência, por marcas de distribuição como em outras categorias de produto. “As marcas próprias da distribuição, embora tenham vindo a crescer, no sector da cerveja ainda não são muito expressivas, ao contrário de outros setores, como o caso das águas engarrafadas”, frisa Nuno Pinto Magalhães. Nem para outras marcas de cerveja mais baratas nem para outro tipo de bebidas, assegura o diretor de comunicação e relações institucionais. “Não há mudança de consumo para outras bebidas. Todas as bebidas estão em quebra. Há uma quebra real de mercado em todos”, garante o responsável da Central de Cervejas.

“A questão do IVA [na restauração] é extremamente preocupante para nós, em particular para o ano”, admite. “Se este ano ainda houve alguma resiliência por parte dos pontos de venda do canal HORECA para assumir parte desta quebra, todos os indicadores que temos para 2013 levam a concluir que será um ano mais agravado”, considera o responsável. Nuno Pinto Magalhães apoia–se nos dados revelados pelo estudo realizado pela PricewaterhouseCooper para a AHRESP para sustentar a sua preocupação. “A manter-se o IVA de 23%, o cenário é dramático”, alerta o responsável da Central de Cervejas.

Situação que, com base na versão preliminar do Orçamento do Estado para o próximo ano conhecida esta semana, não sofrerá quaisquer alterações. A confirmar-se as previsões do estudo, 2013 será um ano amargo para a restauração e para o sector cervejeiro. Com o IVA nos atuais níveis, “o número de falências que se prevê será de 27 mil microempresas de restauração, 62 mil desempregados, que se somam aos 37 mil deste ano. A quebra de volume de negócios será de 787 milhões de euros”, descreve Nuno Pinto Magalhães.

Para evitar este cenário, a AHRESP lançou uma petição para a redução do IVA na restauração que obteve 34 mil assinaturas. O documento vai a plenário na Assembleia da República para votação no próximo dia 24 de outubro.

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