Portugueses realizaram 2 milhões de viagens no segundo trimestre. Menos de 2% foi para fora

Entre abril e junho, período que em parte esteve em vigor o Estado de Emergência, as viagens dos residentes afundaram. Dados do INE apontam para dois milhões de viagens, a maioria das quais dentro do território nacional.

As viagens dos residentes afundaram no segundo trimestre deste ano. Entre abril e junho - período durante o qual esteve em vigor o Estado de Emergência e medidas de confinamento, que gradualmente foram sendo levantadas - os residentes realizaram dois milhões de viagens, o que representa uma queda de praticamente 65% face ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do INE, divulgados esta segunda-feira, 26 de outubro.

"O impacto da pandemia Covid-19 e a declaração do Estado de Emergência no mês de abril e do Estado de Calamidade no mês de maio que impuseram medidas de confinamento contribuíram para o decréscimo observado. Apesar desta redução, verificou-se um aumento muito significativo do número de noites passadas fora do ambiente habitual pelos turistas especialmente em abril e maio: 8,00 noites e 5,41 noites, respetivamente", pode ler-se no documento.

Durante os meses de abril, maio e junho, 99,4% das deslocações realizadas foram em território nacional, menos 59,1% face a igual período do ano anterior. "As viagens turísticas com destino ao estrangeiro foram praticamente nulas (0,6% do total), totalizando 12,4 mil (-98,5%)".

Apesar da queda significativa das viagens, junho contou com feríados que permitiram que muitos optasse por tirar uns dias de férias, podendo ter contribuído para o número de viagens realizadas. Nota ainda que a fronteira por exemplo com Espanha só abriu em julho.

De acordo com os dados do INE, os principais motivos que levaram a deslocações foi: lazer, recreio ou férias. "O motivo "visita a familiares ou amigos" correspondeu a 686,6 mil viagens (34,9% do total, -2,8 p.p.2 ), correspondendo a um decréscimo de 67,5%".

Ano negro

O turismo é um dos setores que tem sentido mais profundamente os efeitos da pandemia de covid-19. Em Portugal, e de acordo com os dados do gabinete de estatística divulgados recentemente, até agosto houve 7,3 milhões de hóspedes nas unidades de alojamento turístico (menos 60,3%), mais de quatro milhões eram residentes. Houve menos cerca de oito milhões de turistas estrangeiros, comparando com o mesmo período de 2019.

Os efeitos na economia também são claros. As receitas turísticas - aferidas pelo Banco de Portugal e que mostram quanto é que os turistas estrangeiros deixam em Portugal - ascenderam a 5,6 mil milhões de euros de janeiro a agosto, o que representa menos 56% face ao mesmo período de 2019, altura em que as receitas estavam próximas dos 12,8 mil milhões de euros. A diferença é brutal: são 7,1 mil milhões de euros gastos a menos em Portugal, devido à pandemia de covid-19, que levou a implementação de medidas para travar o contágio da doença e que limitaram a circulação de pessoas.

Na semana passada, a AHP já tinha alertado para a possibilidade de as receitas da hotelaria recuarem 3,6 mil milhões de euros neste ano face a 2019.

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