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Pousadas dão mais um passo lá fora. Pestana estuda expansão para Goa

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O grupo Pestana procura os destinos que faltam para prolongar a concessão das Pousadas de Portugal.

O Pestana Hotel Group está de olho na Índia, onde espera encontrar o local que deverá acolher a quarta Pousada fora de Portugal. O grupo hoteleiro com a concessão da rede de alojamentos tem até 2023 para investir em cinco países, prolongando o contrato de gestão que mantém com a Enatur. Depois do Brasil, São Tomé e Uruguai, o novo projeto deverá passar por Goa.

“Goa é uma hipótese que estamos a estudar neste momento, já com conversas no terreno, mas ainda sem nada definido”, adiantou ao DN/Dinheiro Vivo Luís Castanheira Lopes, presidente do grupo Pestana Pousadas. É mais um passo em direção à Ásia, onde o grupo Pestana nunca escondeu vontade de entrar. Quanto a Macau? “Não temos nada em estudo mas poderia ser uma possibilidade.”

A matriz que rege a internacionalização das Pousadas, rede idealizada em 1941 para albergar turistas de acordo com o estilo de cada região, é a mesma que tem sido seguida ao longo dos últimos anos cá dentro. “Encontrar um edifício cuja traça arquitetónica seja representativa da cultura portuguesa e que tenha localização e dimensão que permitam dar uma rentabilidade ao investimento.” Com fortes heranças nacionais pelo mundo, candidatos é o que não falta. “Temos várias soluções em vista, agora é altura de fazer o trabalho de casa.”

A cumprir-se o plano de expansão, o grupo Pestana ganha acesso a mais cinco anos de concessão da marca Pousadas, que representa desde 2004. Mas não se trata apenas da escolha do país. As obrigações impostas pela Enatur, a proprietária da marca, também envolvem o número de quartos, que não pode ficar aquém dos 300.

A expansão internacional das Pousadas de Portugal arrancou em 2005 com a construção de uma unidade em Salvador da Bahia, no Brasil. Mas o grupo hoteleiro acabaria por, nos anos seguintes, se focar mais na reestruturação do produto interno do que na extensão da rede para o estrangeiro. No ano passado, foram dados novos passos, com a seleção de uma antiga roça no ilhéu das Rolas, em São Tomé, e de um antigo club jockey em Montevideu, no Uruguai.

Já há luz verde para avançar, mas as obras não arrancam tão cedo. “Já temos as duas localizações aprovadas. No entanto, estamos a aguardar o arranque destes investimentos até termos a definição das outras duas localizações”, clarificou Castanheira Lopes. A explicação é meramente financeira. “Enquanto não tivermos as cinco definidas não podemos fazer as que faltam porque podemos correr o risco de nunca acontecer.”

Apesar da forte presença em países como a Suíça ou a França, a Europa está fora dos planos. E, mesmo com a Ásia a perfilar-se como preferida para as duas localizações que faltam escolher, Castanheira Lopes não descarta olhar para África, e países como Angola ou Moçambique. “Temos de pensar no que será o futuro.”

Enquanto se acertam as agulhas do investimento internacional, a rede vai continuar a crescer. Nos próximos cinco anos, o grupo admite criar cinco novas unidades de alojamento. Algarve e Lisboa são os grandes candidatos a repetir, numa altura em que o turismo vive o melhor momento de sempre.

“Começámos no início do ano a construção de uma nova pousada em Óbidos, que em maio estará disponível ao público, e estamos prestes a arrancar com as obras em Vila Real de Santo António. Temos outros projetos, mas ainda em estudo.” A receita é que já está definida. “Queremos localizações que tenham procura e que justifiquem a aposta do ponto de vista hoteleiro”, referiu Castanheira Lopes, numa referência ao Algarve e a Lisboa.

A suportar os investimentos estão os bons ventos que o turismo tem gerado nos negócios hoteleiros. Em 2017, as Pousadas tiveram o terceiro ano de lucros (dentro da Era Pestana) e receitas na ordem dos 40 milhões de euros (+14%).

Os portugueses ainda são os principais clientes das Pousadas, mas já não valem mais de 27% do total de clientes. Os norte-americanos já são os estrangeiros que mais visitam este tipo de alojamento, seguidos pelos ingleses, que, apesar de terem estagnado, ainda geram uma fatia importante das dormidas, e os franceses, que estão em franca expansão.

“A componente de alojamento ainda é a mais forte, mas algumas atividades que tinham baixado muito estão a recuperar, como os casamentos, que nas pousadas de Palmela, Amares e Estremoz são muito importantes. Há europeus e não europeus; primeiros e segundos casamentos. São mais os portugueses, mas já estamos a captar casamentos de estrangeiros.” Um final feliz para as Pousadas.

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