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Presidente da CP admite reparar comboios fora de Portugal

A Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF)  prepara nas suas oficinas do Entroncamento  a requalificação dos comboios Alfa Pendulares para a empresa Comboios de Portugal (CP). Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
A Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) prepara nas suas oficinas do Entroncamento a requalificação dos comboios Alfa Pendulares para a empresa Comboios de Portugal (CP). Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Carlos Gomes Nogueira afirma que reparação no estrangeiro é a forma mais rápida de diminuir problemas com material circulante.

A CP – Comboios de Portugal admite pedir para reparar comboios fora do país. O cenário foi levantado esta quarta-feira pelo presidente da empresa, Carlos Gomes Nogueira, durante uma conferência sobre transportes públicos, no Parlamento. O responsável pediu também um “reforço significativo” da capacidade da EMEF, a sucursal da CP que repara o material circulante da empresa e que tem sofrido vários cortes nos últimos anos.

“É necessário reforçar significativamente a capacidade da EMEF para a manutenção de material circulante. Encaramos mesmo a hipótese de concurso internacional e a reparação deste material noutras geografias”, respondeu o presidente do conselho de administração da CP quando questionado pelos deputados da comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

Carlos Gomes Nogueira recordou que a EMEF “necessita de um reforço significativo de competências de mão-de-obra e engenharia. Sem EMEF forte não há comboios para realizar serviço público”, alertou o responsável aos deputados durante o debate.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, anunciou a abertura de um concurso para contratação de 50 técnicos no segundo semestre durante a audição da comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas da semana passada. Mas este recrutamento deverá ser manifestamente insuficiente para colmatar as necessidades da empresa pública de manutenção de comboios.

A falta de material circulante está a ter fortes impactos na atividade da CP a nível nacional. Nos serviços de longo curso, as carruagens de Intercidades estão a ser trocadas por material utilizado no comboio Regional, de qualidade inferior. Noutras linhas, muitos comboios estão a ficar parados à espera de peças e de manutenção nas oficinas da EMEF. As supressões de comboios têm impacto particular nas linhas do Oeste, Algarve, Vouga e Alentejo (troço entre Casa Branca-Beja), sinalizou Carlos Gomes Nogueira.

Este problema “vai demorar bastante tempo até ficar resolvido”, assumiu o líder da CP. É que além da incapacidade das oficinas da EMEF, o novo material circulante só chega, no mínimo, daqui “a três ou três anos e meio”; e ainda precisa da ‘luz verde’ do Governo, que já admitiu “limitações muito grandes” para a aquisição de material.

O aluguer de mais material circulante à congénere espanhola Renfe também está a ser considerado mas “obedece a um processo de homologação longo”. Atualmente, há 20 comboios que estão a ser alugados à empresa espanhola, 18 dos quais em funcionamento.

Sem estes problemas, acredita a CP, seria possível aumentar bastante o número de passageiros, sobretudo do mercado estrangeiro, que têm grande interesse pelo transporte ferroviário. A empresa estima que em 2018 poderá transportar cerca de 130 milhões de passageiros, mais 6% face a 2017. Só que esta meta só poderá ser alcançada “se o material circulante responder à forte pressão da procura”.

 

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