Presidente do Deutsche Bank diz que banco não precisa de ajuda estatal

O Deutsche Bank constituiu provisões de 5,5 mil milhões de euros (6,2 mil milhões de dólares) em 30 de junho último para resolver litígios em curso

O presidente do Deutsche Bank, o britânico John Cryan, tentou hoje tranquilizar os mercados, garantindo que o maior banco alemão não precisa de ajudas do Estado.

"Isso não é assunto para nós", respondeu John Cryan, questionado pelo Bold, o jornal mais lido da Alemanha, sobre a eventual necessidade de ajudas do Estado. "Em nenhum momento pedi ajuda à chanceler", Angela Merkel, frisou Cryan, que lidera o banco desde o verão do ano passado.

Na segunda-feira, o Deutsche Bank viu as suas ações caírem para níveis jamais vistos na sua história na bolsa de Frankfurt, em face dos rumores de que o Estado recusara conceder qualquer ajuda ao gigante alemão, ameaçado por uma multa recorde nos Estados Unidos.

A chanceler alemã veio meio comentar o caso. Ontem, em declarações à Bloomberg, afirmou que "o Deutsche Bank é uma peça fundamental do sistema bancário e financeiro da Alemanha. E claro que esperamos que todas as empresas, mesmo as que passam por problemas temporários, possam caminhar na direção certa", disse, escusando-se a fazer mais comentários.

O Departamento de Justiça norte-americano anunciou, a 15 de setembro, a aplicação de uma multa de 14.000 milhões de dólares para saldar o litígio imobiliário desencadeado no início da crise financeira em 2008.

"É claro, desde o início, que nós não vamos aceitar esse valor", declarou o patrão do Deutsche Bank ao mesmo jornal, numa entrevista em que refere ainda que, "de momento, não se coloca a questão de um aumento de capital".

O Deutsche Bank é acusado, como outros grandes bancos, de ter vendido a investidores antes do início da crise financeira de 2007/08 empréstimos hipotecários residenciais, que são créditos convertidos em produtos financeiros, sabendo que eram tóxicos.

A denominada 'titulação', tática, utilizada abundantemente pelos grandes bancos para converter carteiras de empréstimos em títulos financeiros que cedem depois nos mercados, é considerada a responsável pelas perdas registadas em 2008 por numerosos investidores, incluindo os que compraram os títulos associados às famosas sub-primes.

O Deutsche Bank constituiu provisões de 5,5 mil milhões de euros (6,2 mil milhões de dólares) em 30 de junho último para resolver litígios em curso, segundo documentos bolsistas.

O presidente do Deutsche Bank garantiu em entrevista ao jornal alemão Bild que não está em cima da mesa avançar com um aumento de capital no banco e que, em nenhuma ocasião, o gigante europeu pediu ajuda à chanceler alemã Angela Merkel.

John Cryan afirmou que "em nenhum momento pedi ajuda à chanceler. Nem sequer sugeri nada disso", segundo a entrevista ao jornal alemão, citada pela Bloomberg.

 

Desde o início do verão que o Deutsche Bank é seguido com preocupação pelo mercado, depois do FMI dizer que é o maior risco sistémico para a estabilidade global, de ter chumbado os stress tests nos Estados Unidos e do próprio banco ter dito que o setor na Europa precisa de um resgate de 150 mil milhões de euros. A multa de 14 mil milhões de dólares aplicada pelos Estados Unidos no início deste mês é mais um foco de pressão.

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