Prisa avança com ações contra Cofina depois do fim da venda da TVI

Grupo de media dono da TVI apanhado de surpresa com decisão da Cofina de não avançar com compra depois de falhar aumento de capital.

A Prisa estava "avaliar a situação" gerada pelo fim da compra da TVI pela Cofina e já informou o mercado da sua decisão. "A companhia vai iniciar todas as ações contra a Cofina previstas no acordo de compra e venda".

Contactado pelo Dinheiro Vivo, grupo de media liderado por Paulo Fernandes não quis comentar.

A decisão da Cofina de não avançar com a compra depois de falhado o aumento de capital até 85 milhões de euros apanhou de surpresa o grupo de media espanhol. O grupo Cofina, "sem conhecimento da Prisa", decidiu voluntariamente não continuar com o aumento de capital aprovado pelos acionistas a 29 de janeiro, o que "implica uma violação do contrato de compra e venda datado de 20 de setembro e atualizado a 23 de dezembro de 2019" relativo à venda de 100% da Vertix que detinha 94,69% da Media Capital, lembra a Prisa em comunicado enviado ao mercado.

"A conclusão da compra e venda estava apenas pendente" da concretização do aumento de capital para "financiar parcialmente" a operação, lembra a Prisa. "De acordo com as informações prestadas pela Cofina no acordo de Compra e Venda e comunicações ao mercado, a Cofina tinha os compromissos necessários para financiar o montante requerido para completar a transação, de um lado de instituições de crédito e, por outro lado, dos acionistas relevantes da Cofina no montante necessário para cobrir o aumento de capital".

"Face a isto, a companhia (Prisa) irá iniciar a partir desta data todas as ações contra a Cofina previstas no acordo de compra e venda".

Na informação que chegou a ser partilhada com os investidores, a Cofina explicava que iria financiar a operação através de um empréstimo de 220 milhões, assegurado pelo Santander e Crédit Suisse (os bancos financiadores), bem como por um aumento de capital até 85 milhões de euros. Deste montante, 50 milhões seriam usados para pagar os custos de transação e refinanciar a atual dívida líquida da Cofina. Excluindo o capital em free float, metade do aumento de capital seria assegurado pelos atuais acionistas, sendo que os mesmos iriam manter mais de 50% do capital depois do aumento de capital.

O empresário Mário Ferreira, da DouroAzul, e o banco galego Abanca (acionista da Media Capital) iriam participar no aumento de capital. O empresário já reagiu ao fim do negócio e revelou ao Dinheiro Vivo que se tratou de uma decisão "unilateral" da Cofina e dos seus acionistas.

O banco galego Abanca, contacto pelo Dinheiro Vivo, não quis comentar esta situação.

"A Prisa continuará com a rota focada nos seus ativos de educação e media estratégicos e ao mesmo tempo irá manter uma política ativa de desinvestimento nos seus ativos não core", disse ainda o grupo de media em comunicado.

(notícia atualizada às 17h07 com reação do Abanca)

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