Privatização da TAP marcada para setembro

Fernando Pinto vai apresentar melhores resultados semestrais
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O novo processo de privatização da TAP deverá arrancar no início de setembro. O governo, ao que o Dinheiro Vivo apurou, quererá vender a companhia, talvez, a mais do que um investidor e terminar o processo antes do fim do ano para evitar uma tomada de decisão em cima do Natal, como aconteceu em 2012.

A decisão de avançar com a venda está a ser pressionada pelo verão conturbado da TAP, que deixou mais evidente a falta de capital da empresa, problema que só será resolvido com a entrada de um ou mais investidores privados.

Contrariamente ao que aconteceu em 2012, o governo poderá não avançar com uma venda direta, nem da totalidade do capital. O Dinheiro Vivo sabe que está a ganhar força a intenção de se repetir com a TAP o modelo de privatização dos CTT. Ou seja, começar por uma dispersão de parte do capital em Bolsa. Mas, contrariamente à venda dos Correios, que incidiram sobre 70% da empresa, a oferta pública inicial (IPO) da TAP deverá levar à alienação de uma parcela minoritária.

Com esta primeira fase da venda, a empresa passaria a pertencer a vários investidores, institucionais e particulares, e a verba arrecadada entraria diretamente na empresa, possibilitando, desde logo, um alívio nas contas. A maioria do capital ficaria reservada para um segundo momento da venda.

Este é o passo mais complicado da privatização. Sérgio Monteiro quer garantir que existe um “enfoque no projeto estratégico” e não apenas um bom encaixe financeiro para o acionista. Em 2012, este foi o grande trunfo do plano de Efromovich para a companhia, que agradou tanto ao governo como à administração da TAP. Mas não é só: o governo precisa de garantir que a dívida fica na empresa e que os credores não vão exigir o seu pagamento assim que a companhia mudar de mãos.

Em 2012, a oferta final de Efromovich consistiu numa injeção no capital da TAP de 316 milhões de euros e um pagamento ao Estado de 35 milhões. O empresário dono da Synergy assumia ainda a dívida de mil milhões da empresa. Ao todo, investia 1,5 mil milhões na TAP.

Este ano, o governo já pediu uma reavaliação da companhia aérea, que concluiu que a empresa “está melhor do que estava em 2012”. Ou seja, vale mais do que àquela data – algo como 1,6 mil milhões de euros.

Apesar do verão difícil, Fernando Pinto deverá em breve mostrar que a TAP está melhor. De acordo com os números a que o Dinheiro Vivo teve acesso: no primeiro semestre deste ano, a TAP cresceu em tráfego, número de passageiros e ocupação dos aviões. As receitas também subiram e a dívida caiu.

No total, a transportadora obteve 1098 milhões em receitas, mais quatro milhões do que no mesmo período de 2013. Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) passou de 45,3 milhões negativos para 10,3 milhões. A surpresa é ainda maior quando se olha para a dívida líquida, que passou de mil milhões de euros em 2012 para 650 milhões. A dívida líquida em função da receita passou para 22,5%, menos 15,2 pontos face ao ano da última tentativa de venda.

E o número de passageiros cresceu 9,7% em julho, apesar de todas as paragens das últimas semanas (1,184 milhões). No total do ano, a TAP já transportou mais 459 mil pessoas do que na primeira metade do ano passado. A ocupação dos aviões está em 80,9%.

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