Processos de créditos em incumprimento disparam para mais de 715 mil

Bancos iniciaram 718 479 processos de regularização de créditos em incumprimento, englobando 523,8 mil créditos e 4,9 mil milhões de euros de dívida

Os cartões de crédito são os principais culpados pela queda em incumprimento das famílias logo seguidos pelos créditos pessoais, tendo sido estes os impulsionadores do aumento no número de processos iniciados pelos bancos para a regularização de pagamentos por parte dos seus clientes em dificuldades financeiras. A renegociação dos contratos e a consolidação dos créditos são normalmente os principais desfechos destes processos.

Segundo a relatório de supervisão comportamental relativo a 2016, no ano passado houve um aumento do número de processos iniciados pelas instituições de crédito no âmbito do Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento (PERSI), aumento este que foi sentido apenas nos créditos aos consumidores, já que no crédito hipotecário até se registou um recuo. Mas os altos juros que que os bancos podem cobrar nos cartões de créditos e empréstimos pessoais continuam a aumentar as dificuldades das famílias a lidar com estas soluções de financiamento.

Os dados apresentados pelo supervisor financeiro no relatório divulgado esta quarta-feira apontam que no ano passado foram iniciados um "total de 718 479 processos PERSI" (+2,4%), englobando ao todo 523,8 mil créditos - um cliente pode ter mais do que um crédito envolvido na renegociação. Segundo o BdP, ao todo estes contratos valiam 4,9 mil milhões de euros de dívida - a grande maioria referente a créditos hipotecários.

E se durante 2016 as situações de incumprimento ao nível do crédito hipotecário até recuaram 9,2% - foram iniciados 119 mil contra 132 mil em 2015 -, o aumento registado nos créditos aos consumidores anulou esta melhoria, já que aos 569 mil processos iniciados em 2015 seguiram-se 599,2 mil em 2016 (+5,2%). Culpa então dos cartões de crédito.

"Em 2016 registou-se um aumento do número de processos iniciados pelas instituições de crédito no âmbito do Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento (PERSI). Todavia, este aumento foi circunscrito ao crédito aos consumidores, destacando-se neste segmento o peso acentuado das dívidas decorrentes da utilização de cartões de crédito", lê-se no relatório.

Do número total de contratos envolvidos nestes processos, "cerca de 85% (...) estavam enquadrados no regime do créditos aos consumidores", detalha o BdP. Mas apesar deste peso numérico dos contratos aos consumidores, certo é que como estes referem-se a créditos de menor valor que os hipotecários, os montantes envolvidos nestes créditos erram de "apenas" 850 milhões de euros.

Segundo o Banco de Portugal, neste segmento do crédito o grande problema está no crédito revolving, ou seja, aquele que permite pagamentos faseados, libertando novas tranches graças às importâncias entretanto pagas - tal como os cartões de crédito, por exemplo.

"O crédito revolving assumiu um peso significativo no número de processos PERSI iniciados neste segmento (75,7%), destacando-se em particular as dívidas de cartões de crédito, que foram responsáveis por mais de metade dos processos que ocorreram em 2016 (57,1%). A segunda tipologia de crédito aos consumidores com maior peso no número de processos PERSI iniciados foi o crédito pessoal (19,8%)", detalha o relatório de supervisão do BdP.

Segundo o supervisor, nestes casos a "renegociação dos termos e condições dos contratos de crédito" é a principal solução que acaba por ser encontrada para as famílias em incumprimento, havendo também casos em que os créditos são consolidados ou a dívida refinanciada, ainda que estas soluções tenham um "peso pouco significativo".

"Nos processos PERSI relativos a contratos de crédito hipotecário, as soluções acordadas passaram com maior frequência pela introdução de períodos de carência de capital e / ou juros, enquanto no segmento do crédito aos consumidores as soluções mais adotadas foram o diferimento de parte do capital para a última prestação e o alargamento do prazo do contrato."

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