O Governo cabo-verdiano prometeu hoje que a venda de mais de 7% do capital social da antiga companhia aérea TACV junto dos emigrantes será concluída este mês, com a procura a superar a oferta de ações do Estado.
A garantia foi avançada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, em conferência de imprensa sobre a reunião do conselho de ministros, realizada quinta-feira e que aprovou uma alteração legislativa ao processo de privatização da antiga companhia estatal, para acomodar a venda 10% das ações a trabalhadores da ex-TACV e emigrantes.
“Sete por cento da empresa ficará com os nossos emigrantes. É uma grande satisfação para o Governo. Houve uma adesão superior às nossas expectativas. Ou seja, as ofertas [de compra de ações] eram muito superiores àquilo que foi posto à venda, o que demonstra uma grande confiança da nossa comunidade em relação à nossa empresa, hoje Cabo Verde Airlines”, destacou o ministro.
Luís Filipe Tavares garantiu que o objetivo é concluir o processo de alienação de todo o capital da antiga companhia aérea estatal “até final do ano”.
O processo de privatização e reestruturação da antiga Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) arrancou em março deste ano, com a venda de 51% das ações da empresa aos islandeses da Icelandair, passando a chamar-se Cabo Verde Airlines (CVA).
O Estado de Cabo Verde passou a deter 49% das ações e optou por vender 10% aos trabalhadores e aos emigrantes cabo-verdianos, num total de 100 mil ações, e os restantes 39% a investidores institucionais (390 mil ações).
Com a venda de 7,65% (74.650 ações) do capital social da antiga companhia aérea estatal junto da diáspora, processo que arrancou no dia 30 de setembro e termina em 16 de dezembro, o Governo espera arrecadar até 108.765.050 escudos (986 mil euros), vendendo cada ação a 1.457 escudos (13 euros).
“O processo tem corrido muito bem (…) Fizemos uma excelente aposta e vamos ter resultados muito importantes, já estamos a ter e vamos continuar a ter em 2020”, garantiu o ministro Luís Filipe Tavares.
Em setembro, 91 trabalhadores (30% do total) da antiga transportadora aérea pública cabo-verdiana tornaram-se acionistas da empresa, numa operação que aconteceu pela primeira vez.
A venda direta aos trabalhadores decorreu de 01 de julho a 01 de setembro e foi feita através da Bolsa de Valores de Cabo Verde, num total de 25.350 ações — equivalente a 2,65% do total -, a um preço de 1.457 escudos (13 euros) cada. Os trabalhadores tiveram direito a um desconto de 15% em cada ação e o encaixe financeiro para o Estado foi de 31,4 milhões de escudos (284,8 mil euros).
Até ao final do ano serão vendidos as restantes 39% de ações do capital social da empresa aos investidores institucionais, num processo em que segundo o Governo a procura também é muito superior a oferta, pelo que será realizada por meio de leilão competitivo.
Cabo Verde Airlines prevê faturar quase 82 milhões de euros este ano, valor que espera quintuplicar até 2023, para 422 milhões de euros, segundo as projeções da companhia aérea, conforme informação institucional preparada no âmbito da venda de 7,65% do capital social aos emigrantes, a que a Lusa teve acesso.
De acordo com os mesmos dados, a administração da CVA prevê faturar mais de 9.015 milhões de escudos (81,9 milhões de euros) em 2019, valor que deverá subir para 23.473 milhões de escudos (213,2 milhões de euros) em 2020 e para mais de 46.450 milhões de escudos (422 milhões de euros) em 2023.
A previsão da companhia para o EBIDTA (resultado líquido de impostos e que serve para aferir a competitividade e eficiência de uma empresa) ainda é negativo para 2019, em 3.485 milhões de escudos (31,6 milhões de euros). Contudo, a partir de 2020, a previsão é que chegue a valores positivos, começando em 914 milhões de escudos (8,3 milhões de euros) e até 3.491 milhões de escudos (31,7 milhões de euros), em 2023.
Os dados disponibilizados aos investidores refletem ainda a faturação da empresa no primeiro semestre de 2019, que passou de 439.181 dólares (402 mil euros) na primeira semana do ano (antes da privatização) para mais de 1,6 milhões de dólares (1,4 milhões de euros) na última semana de junho.