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Produtor da Bairrada resgata práticas vitícolas com 50 anos

Casimiro Gomes lança edição especial em março
(Fábio Poço/Global Imagens)
Casimiro Gomes lança edição especial em março (Fábio Poço/Global Imagens)

O lançamento do Vinha d'Anita vai decorrer a 02 de março

Casimiro Gomes, produtor de vinhos da Bairrada, vai lançar no início de março um novo vinho a que batizou com o nome da mãe. Para a produção teve de resgatar práticas vitícolas da região com mais de 50 anos.

A marca Regateiro lança a 02 de março, em Águeda, o Vinha D’Anita, um tinto composto integralmente pela casta Baga e que o produtor Casimiro Gomes dedica à mãe, Ana Ganhoto, tratada pelos mais próximos por Anita.

A ligação deste vinho à mãe não se fica apenas pelo nome que pediu emprestado para a submarca, mas por o produtor ter optado por fazer um vinho à imagem das preferências da sua progenitora.

“Tem uma extração mínima, é menos alcoólico [cerca de 12,5 graus], não tem uma cor carregada, mas é um vinho de grande persistência. A minha mãe sempre preferiu esses vinhos”, contou à agência Lusa Casimiro Gomes, sublinhando que foi feito todo um trabalho “muito diferenciado”, recuperando as técnicas vitícolas dos anos 1960 e 1970.

O produtor considera que, ao longo dos anos, tentou-se forçar a casta Baga, natural da Bairrada, “a dar mais concentração, mais grau e ela não é assim”.

Para este vinho, foi recuperada a técnica de se retirarem as folhas “relativamente cedo”, com os cachos ainda verdes, para se adaptarem ao sol.

No final, acabou-se com um vinho da Bairrada “à antiga”, frisou Casimiro Gomes.

“É resgatar uma forma de se fazer vinho. É um perfil de vinho que deve existir e deve estar disponível para o mercado. Vai dar sensações e vai provocar no consumidor outro tipo de análise”, sublinhou.

Segundo o produtor, é fundamental “não se desprezar o conhecimento que muitas vezes era empírico e que passava de gerações para gerações”.

Este será um “vinho de nicho”, com cerca de 3.000 garrafas, e “um posicionamento diferenciado”, à imagem da restante marca Regateiro, com outros quatro vinhos, notou.

Por ano, a marca Regateiro produz cerca de 50 mil garrafas e exporta 70% do volume.

Os principais mercados são os Estados Unidos, Brasil e o mercado chinês, que está “a crescer com algum significado” apesar de ser muito irregular, referiu, registando ainda vendas para o Canadá e Europa do Norte, para além de Angola, que perdeu alguma da sua importância nos últimos anos.

O objetivo, sublinhou, passa agora por aumentar a produção para o dobro – 100 mil garrafas -, num espaço de seis anos, e lançar mais submarcas que deverão seguir a filosofia expressa no Vinha d’Anita: “Pegar na tradição”.

“Pontualmente, ainda se conseguem encontrar vinhos desses em garrafeiras muito antigas ou em caves particulares e quando se prova um vinho desses há um esforço de memória para percecionar o que está para trás. Não havia conhecimento técnico ou científico”, frisou, realçando que também é preciso dar valor àquilo que “os antepassados faziam”.

O lançamento do Vinha d’Anita vai decorrer a 02 de março, a partir das 20:00, no restaurante Casa Vidal, em Águeda.

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