Programa UpSkill: "Vamos certamente criar novas ações de formação"

Apesar da conjuntura atual, as empresas envolvidas no programa "estão convictas de que a convivência com esta difícil e complexa situação implica o aprofundamento da aposta na transformação digital", diz Rogério Carapuça, da APDC, uma das entidades envolvidas no UpSkill.

Rogério Carapuça, da APDC, uma das várias entidades envolvidas no programa UpSkill, que pretende formar 3 mil pessoas na área das tecnologias de informação (TI) ao longo de três anos, destaca que, apesar da situação de pandemia, as empresas envolvidas continuam "convictas" da necessidade de apostar nas competências digitais, algo escasso no mercado português.

"Este programa surgiu por iniciativa de um conjunto de empresas associadas da APDC. Há muito que era conhecida a falta de talento digital em todos os setores de atividade, para dar resposta às novas exigências do mercado global", recorda o presidente da APDC, destacando que já era antecipável "que o problema se agudizasse ainda mais no futuro".

"Assim é imperativo que as empresas das TIC tenham necessidade de contratar mais profissionais qualificados. Além disso, é um setor que tem um grande potencial para atrair pessoas de outras áreas ou em situação de desemprego, desafiando-as para uma nova vida profissional. Foi isso que se pensou desde a génese do Programa: a requalificação de pessoas de outras áreas em competências que lhes permitam iniciar uma nova atividade profissional nas TIC."

Neste momento, são 18 as empresas envolvidas na primeira edição deste programa, que arrancou com 500 vagas. Estas empresas, como é o caso da Accenture, Altran, Axians, CEiiA, CI&T, Deloitte, DXC Technology Portugal, Experis, Extrabite, GFI, Indra/Minsait, Joyn, Microsoft, Outsystems, Promopcmkt, Softinsa (IBM), Zarph ou da OutFit, assinaram contratos que estipulam que, além da formação de três meses em contexto real de trabalho, poderão contratar alguns dos formandos, com uma garantia de salário de 1200 euros.

O presidente da APDC destaca que ainda há margem para outras companhias que queiram juntar-se a este programa. "Continuamos a contactar com mais empresas, num processo de adesão aberto a todas as organizações que necessitem de talento qualificado em áreas específicas das TIC, seja para iniciar, ou para intensificar, o seu processo de transformação para o digital."

Apesar do atual contexto de crise e da incerteza trazida pela pandemia, Rogério Carapuça refere que "na conjuntura atual, as empresas envolvidas, apesar de também sentirem o impacto da recessão que se seguiu, estão convictas de que a convivência com esta difícil e complexa situação implica o aprofundamento da aposta na transformação digital, pelo que, é estrategicamente importante continuar a apostar na formação em novas áreas para os profissionais". O presidente da APDC vaticina que este tipo de profissionais "seguramente continuarão a escassear" no mercado nacional.

Programação e low-code entre as skills mais pedidas

Destinado a quem está em situação de desemprego ou a quem queira tentar uma nova oportunidade de carreira, estão disponíveis várias formações. Rogério Carapuça refere que, para já, as áreas mais requisitadas pelas empresas "são as de programação, designadamente em Java e .Net, bem como em plataformas low-code, nomeadamente OutSystems e Appian. Mas também em cloud services, ERP e CRM."

Com formações disponíveis em diversos pontos do país, é em Lisboa e Setúbal que se concentra a maior parte das vagas disponíveis. Rogério Carapuça explica que tal está ligado ao "peso significativo" da capital na indústria dasTIC, onde se concentram muitas empresas da área. "É, pois, natural que a maioria das necessidades de recursos se situe na Área Metropolitana de Lisboa, sendo que aqui o suporte à formação é assegurado pelo ISCTE e pelo IPS - Instituto Politécnico de Setúbal."

"Mas temos outros polos abrangidos pelo UPskill. Falamos de Castelo Branco, Guarda, Porto e Viseu. O que se explica pelo facto de, nos anos mais recentes, muitas empresas terem apostado noutras regiões, para além de Lisboa, para instalarem os seus projetos de investimento. A qualidade das infraestruturas de telecomunicações nacionais, ao nível das melhores da Europa e do Mundo, assim como os incentivos lançados pelas diversas regiões para a captação de novos projetos, e a crescente aproximação dos Institutos Politécnicos ao setor empresarial, estão na base desta nova realidade."

Rogério Carapuça, que detalha que arrancarão "duas outras formações" em novembro, além das formações que arrancam neste final de mês, serão certamente" criadas "novas ações de formação", eventualmente noutros pontos do país.

O programa contempla uma formação em ambiente letivo numa instituição de ensino superior, até seis meses, seguida por formação em contexto laboral numa das empresas participantes, caso os formandos tenham aproveitamento na parte letiva.

Rogério Carapuça refere que, após a frequência do programa, há "muitas expetativas" relativamente à continuação de formação. "Não tanto na formação nas empresas, porque isso dependerá das políticas e estratégias de recursos humanos de cada uma, embora seja de salientar que o setor das TIC tem uma grande preocupação e aposta na formação contínua dos seus quadros, mas sobretudo porque estamos convictos de que a maioria destes novos profissionais poderá sentir uma necessidade efetiva de aprofundar os conhecimentos adquiridos e, por essa via, optarem por prosseguir os seus estudos posteriormente".

Ainda está a ser estudada a possibilidade de estas formações poderem valer créditos para prosseguir estudos, diz Rogério Carapuça. "No contexto de desenvolvimento deste Programa estamos ainda a avaliar, em conjunto com as instituições de ensino superior associadas, a possibilidade de serem atribuídos créditos pela formação UPskill, para prosseguimento de cursos superiores, bem como, acesso sem custos a exames de certificações de TI."

Este programa resulta de uma parceria entre a APDC, o IEFP e o CCISP (Conselho Coordenador dos Institutos Superior Politécnicos).

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