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Projeto de Souto Moura no Barrocal vence em Veneza

O presidente da Bienal Paolo Baratta (L), o vencedor do Leão de Prata, Eduardo Souto de Moura (C), e o presidente da Câmara de Veneza, Luigi Brugnaro. Fotografia: EPA/Andrea Merola
O presidente da Bienal Paolo Baratta (L), o vencedor do Leão de Prata, Eduardo Souto de Moura (C), e o presidente da Câmara de Veneza, Luigi Brugnaro. Fotografia: EPA/Andrea Merola

Projeto situa-se em Reguengos de Monsaraz, Évora, custou nove milhões de euros, dos quais cerca de 5,5 milhões foram fundos europeus.

A zona alentejana do Alqueva ganhou o seu primeiro complexo turístico de cinco estrelas em 2016, o São Lourenço do Barrocal, fruto da recuperação de um monte histórico, “assinada” pelo arquiteto Eduardo Souto Moura. O projeto foi premiado este sábado, na Bienal de Veneza, com o Leão de Ouro.

Promovido pela empresa São Lourenço do Barrocal, da família proprietária da herdade e da família António Menano, o projeto situa-se no concelho de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, e custou nove milhões de euros, dos quais cerca de 5,5 milhões foram apoios comunitários.

A herdade, na mesma família há 200 anos, possui 780 hectares, com várias marcas históricas, como 16 antas e um menir do Neolítico, e ligação direta ao grande lago do Alqueva.

O complexo “teria viabilidade e tê-lo-íamos feito à mesma se não houvesse Alqueva”, mas “é uma enorme mais-valia ter o lago na herdade, e interessa-nos muitíssimo” usá-lo “para ter atividades [de animação turística] e como irrigação da agricultura”, realçou à agência Lusa José António Uva, administrador da empresa promotora, numa reportagem realizada em 2016, poucos dias antes da abertura do projeto.

Esta herdade alentejana, produtora de vinho e de vários produtos biológicos, como carne e azeite, dava então o “tiro de partida” para novos tempos, com restaurante, adega e hotel de cinco estrelas, com 24 quartos, 16 casas turísticas, spa, piscina, centro hípico e outras valências.

Um monte do século XIX

O presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, disse à Lusa, na mesma altura, tratar-se de um investimento “bastante importante”, mesmo “ao lado do Alqueva, um lago que tem quase 1.100 quilómetros de margem, dos quais 220 quilómetros” naquele concelho.

“É uma recuperação magnífica de um monte que tem uma história no concelho e que alarga horizontes em relação à oferta turística de Reguengos de Monsaraz”, permitindo, em complemento com os turismos rurais, “prolongar as visitas dos turistas e ter outro tipo de turismo” de um segmento “mais alto”, frisou.

Os vários edifícios do monte, do século XIX, totalizam oito mil metros quadrados, e o projeto do arquiteto Eduardo Souto Moura, “provavelmente a pessoa em Portugal que tem mais experiência em reabilitação, e maior conhecimento do património arquitetónico”, resultou numa intervenção “muito cuidada”, afiançou José António Uva.

“Permitiu recuperar edifícios que têm agora novas funções, mas que mantêm a sua personalidade, caráter e essência, que é a arquitetura popular do Alentejo”, sublinhou.

Com quase 50 pessoas então contratadas, a maior parte originária daquela zona, e parcerias com produtores e artesãos da região, para fornecerem o restaurante ou a loja, o projeto nascia com o objetivo de valorizar a agricultura que pratica e recuperar “o sentido de comunidade” da herdade, quando aí viviam e trabalhavam, antigamente, cerca de 100 pessoas.

No período correspondente à “caminhada” do São Lourenço do Barrocal, outros projetos turísticos e imobiliários estiveram “na calha” para o Alqueva, mas ou não foram concluídos ou nem passaram do papel.

“Tenho claramente pena”, disse então o autarca José Calixto, reconhecendo que “a dimensão destes projetos, feita na década passada” estava “claramente acima daquilo que os territórios e os mercados aguentam, neste momento”.

Quanto a José António Uva, apostado em “provar que faz sentido fazer um projeto ambicioso, turístico e agrícola, nesta região”, espera que, com o tempo, surjam outros investidores: “Faria todo o sentido. Acho que funcionamos melhor como destino se formos mais”.

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