Projeto-piloto pretende transformar vegetação indesejada em combustível

Um projeto-piloto de produção de biocombustível a partir de vegetação espontânea vai ser instalado na região de Oliveira do Hospital, envolvendo o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), de acordo com um protocolo hoje anunciado.

“As primeiras amostras deste biocombustível deverão ser testadas em alguns veículos entre 2013 e 20142”, disse esta tarde à agência Lusa o investigador João Nunes, administrador da Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro (BLC3).

A Plataforma, com sede em Oliveira do Hospital, assinou com aquele laboratório do Ministério da Economia um protocolo de cooperação “para apoiar o processo de desenvolvimento” do BioREFINA-Ter, definido como “o maior projeto nacional na área dos biocombustíveis de segunda e terceira geração”.

João Nunes salientou que este protocolo traduz “uma nova visão de investigação”, ao procurar “unir o que existe de melhor em Portugal” na área das biorrefinarias: “Este é um protocolo estratégico com que pretendemos consertar esforços neste domínio”.

O projeto-piloto de investigação abrange os concelhos de Oliveira do Hospital, Tábua, Arganil e Góis, “através da construção de uma biorrefinaria de demonstração industrial” com capacidade para produzir anualmente cerca de 25 milhões de litros de biocombustíveis.

“O BioREFINA-Ter está concebido para transformar a vegetação espontânea da floresta em biocombustíveis substitutos do gasóleo e da gasolina, sem entrar em competição com o setor alimentar”, refere a BLC3 em comunicado.

O LNEG “quer ver Portugal a reduzir a dependência do petróleo através do projeto”, tendo em conta que o país “não apresenta avanços tecnológicos significativos no aproveitamento da biomassa”.

A biomassa “é uma opção chave para a energia mecânica”, sobretudo na área dos transportes, segundo os parceiros do acordo de colaboração.

Segundo o protocolo, o laboratório, responsável pela coordenação nacional do processo da verificação de sustentabilidade na produção de biocombustíveis, encara a sua cooperação no âmbito do BioREFINA-Ter como “demonstração do interesse inequívoco do LNEG em desenvolver este projeto de extrema importância para o desenvolvimento da região interior e da economia portuguesa”.

O LNEG realça “o facto de a floresta e a vegetação espontânea serem a principal fonte de biomassa” em Portugal, podendo representar dois terços da área total do país.

A BLC 3 assume o compromisso de instalar um Centro de Desenvolvimento Tecnológico no “cluster” das biorrefinarias e bioprodutos, recursos de biomassa e tecnologias avançadas, que terá ligações às universidades, entidades científicas e tecnológicas nacionais e estrangeiras, em especial ao Instituto Politécnico de Coimbra, através da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital.

A Plataforma produziu “pela primeira vez no mundo” biocrude a partir da giesta em finais do ano passado.

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