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PSA: “Investimento em Mangualde em risco” sem mudanças nas portagens

O novo veículo comercial, K9, começa a ser produzido em 2018
O novo veículo comercial, K9, começa a ser produzido em 2018

Novo modelo K9 será classificado como veículo de classe 2 nas portagens por ter mais 1,10 metros de altura no eixo da frente.

O investimento do grupo Peugeot-Citröen (PSA) em Mangualde está em risco se não for feita qualquer alteração nas classes das portagens em Portugal. O alerta foi lançado por Alberto Amaral, diretor-geral do grupo PSA em Portugal, em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira em Sacavém.

“O investimento da PSA em Mangualde está em risco no médio prazo”, alertou o diretor-geral do grupo PSA em Portugal quando questionado sobre o facto de o novo modelo K9 – substituto da Citröen Berlingo e da Peugeot Partner – ser classificado como veículo de classe 2 nas portagens por ter mais 1,10 metros de altura no eixo da frente.

O grupo PSA prevê a produção total de 100 mil unidades do K9 em 2019, 20% das quais destinadas ao mercado português. Ou seja, o impacto da classe 2 nas portagens para o K9 afetará 20 mil veículos em todo o ano de 2019, estima o grupo francês. “Se for amputada esta componente terá impacto sobre emprego. A médio prazo, serão levantadas muitas questões”, avisou Alberto Amaral.

Estas 20 mil unidades referem-se às marcas Citröen, Peugeot e também Opel. Isto quer dizer que voltarão a ser produzidos em Portugal veículos da marca oriunda da Alemanha, 12 anos depois do fecho da fábrica de Azambuja, que encerrou em 2006.

A decisão final em relação ao terceiro turno de produção para o K9 será tomada até ao início do segundo semestre: “precisamos de uma resposta até ao final de julho”, lembrou Alfredo Amaral. Além da produção, a questão das portagens tem condicionado o calendário de apresentação do novo modelo, que estava prevista para março.

Atualmente, a PSA Mangualde conta com 700 trabalhadores e terá mais 225 operários a partir de abril, com a criação de um terceiro turno de produção. Esta equipa ajudará a produzir as últimas unidades da Citröen Berlingo e da Peugeot Partner. Mas estes postos de trabalho também “estão em risco” se o novo K9 não for classificado como veículo classe 1 nas portagens em vez de classe 2.

Fortes críticas ao sistema de portagens

O sistema de classes das portagens nas autoestradas portuguesas foi criado há quase 30 anos, recordou Alfredo Amaral durante a conferência de imprensa. Só que “tudo evoluiu” e os veículos “têm sido alterados por questões de segurança e que obrigam a mais espaço na parte da frente. Sobe-se a altura à frente para que o peão enrole e fique mais protegido”.

O mesmo dirigente entende que “há uma falta de adaptação legislativa em relação a esta matéria” e que tem sido aproveitada, “de forma oportunística”, pelas concessionárias.

O diretor geral da PSA Portugal recordou que desde julho que o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas tem um documento elaborado por um grupo de trabalho parlamentar para a alteração das classes das portagens.

Fazia sentido um sistema que olhasse para a componente principal que introduz desgaste, que é o peso e não a altura. Um veículo ligeiro deveria ter uma classe. Os restantes pesados, conforme o número de eixos, deveriam ter outras classificações”, propõe Alfredo Amaral.

(Notícia atualizada às 13h40 com mais informação)

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