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PSA Mangualde. “Portugal continua a não ser competitivo nos preços da energia”

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Diretor-geral da fábrica de automóveis admite que a fábrica possa recorrer a energias renováveis para reduzir fatura da energia.

A fábrica da PSA (Peugeot-Citroën) em Mangualde é considerada uma das mais eficientes do grupo automóvel na Europa apesar da cada vez maior concorrência. É com inteligência que a unidade do distrito de Viseu tem superado os obstáculos da competitividade criados pelas dificuldades logísticas e pelos “elevados preços da energia”, destaca o diretor-geral da fábrica, José Maria Castro, na segunda parte da entrevista ao programa “A Vida do Dinheiro”.

Grandes grupos automóveis como Daimler, BMW e Volkswagen estão a abrir centros tecnológicos em Portugal. Há alguma hipótese de o grupo PSA reforçar o investimento no nosso país a nível industrial ou dos serviços?

Um grupo como a PSA está em constante movimento e à procura de ideias que podem tornar a atividade do grupo mais rentável. De momento, estamos a iniciar com o Governo uma dinâmica no Clube de Fornecedores e identificar potenciais fornecedores para fazer crescer o tecido industrial português e prepará-lo para o futuro. Neste contexto, Mangualde já funciona há alguns anos quase como um laboratório para a indústria 4.0. No futuro, entre as hipóteses, não imaginamos abrir um centro tecnológico mas que de alguma maneira o grupo tenha uma antena de desenvolvimento industrial dentro da fábrica. É preciso trabalhar com Paris qual o posicionamento de Mangualde.

Mas isso está a ser discutido neste momento?

Estamos a trabalhar nisso.

Há mais potencial para a PSA apostar mais na parte industrial ou dos serviços?

Em Mangualde, seria mais na parte industrial, por causa da sua história. Na área dos serviços, o grupo tem a marca Free2Move, que tem o serviço de carsharing Emov. Mas o trabalho de serviços pode ser feito a partir de qualquer parte do mundo.

PSA trabalha com Governo para identificar futuros fornecedores

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Falámos há pouco da logística mas há outros desafios para a fábrica. Pode identificar quais são?

O grande desafio da fábrica é a nova concorrência, que é quase selvagem. A indústria automóvel implica muito capital, a longo prazo, com um mercado brutal e uma concorrência que é quase selvagem. A única maneira de sobreviver implica que sejamos mais competitivos. Temos um novo concorrente interno, a fábrica de Marrocos. A nossa estratégia é sermos mais eficientes com uma fábrica em zona medium cost (custo médio) como Mangualde do que uma unidade em zona low cost (baixo custo), como Marrocos. Imaginamos fazer isso com muita inteligência, utilizando, em grande parte, ferramentas da indústria 4.0, adaptando ao nosso contexto e com frugalidade engenhosa, como diz o presidente do grupo, Carlos Tavares. Temos de tornar rentáveis tecnologias dispendiosas e que foram desenhadas para fábricas na Alemanha e França. É preciso muita inteligência para isso e fazer tudo de forma diferente.

Para quem não conhece o mundo da indústria automóvel, quando diz que a concorrência é quase selvagem refere-se a quê?

Qualquer cliente, quando vai comprar um carro, quase todos estamos à procura da mesma coisa: queremos todos o ‘made in Portugal’ mas no dia em que vamos comprar por menos 100 ou 150 euros e esquecemo-nos do carro ‘made in Portugal’ e ficamos com algo da Coreia, da Alemanha ou da Eslováquia. O mercado não perdoa e exige que sejamos competitivos a nível da qualidade, preço e flexibilidade. Dentro desse contexto, temos de nos preparar para sermos competitivos com os nossos concorrentes asiáticos e chineses – que a pouco e pouco vão entrar na Europa e nos Estados Unidos. Quando falo de selvagem, não é que não nos respeitemos uns aos outros. Simplesmente ninguém vai ter problema em ficar com o mercado do concorrente se for possível.

Há dois anos, Carlos Tavares chamou a atenção para o custo mais elevado da eletricidade em Portugal face a outros países da Europa. Esta situação manteve-se ou de alguma forma já foi resolvida?

A situação foi parcialmente resolvida com a instalação de um centro de transformação de alta tensão para alimentar a fábrica, o que reduziu parcialmente o preço da energia. Mas Portugal continua a não ser competitivo num ponto: o custo da energia no custo de produção de um carro é elevado, de 10%. Isto faz com que tenhamos dificuldades permanentes na corrida pela competitividade.

Isso, de alguma forma, condiciona muito a nossa competição com Marrocos?

Condiciona muito. Estamos a tentar, com inteligência, ultrapassar certas barreiras. Depois de muito trabalho, conseguimos melhorar um pouco as coisas com a EDP mas não há realmente uma melhoria noutros pontos. Queremos alimentar a fábrica de uma forma mais eficiente, com energias renováveis, e que nos permita ultrapassar este problema.

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