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PS/Porto quer Estado nos CTT para “acabar com degradação do serviço”

(Miguel Pereira/Global Imagens)
(Miguel Pereira/Global Imagens)

O actual contrato de concessão do Estado com os CTT termina no final do ano. Governo já admitiu que não descarta uma entrada no capital.

O presidente da Federação Distrital do Porto do PS defendeu hoje a entrada do Estado no capital dos CTT para “acabar com a degradação do serviço”, lembrando que este ano será feita uma “renegociação do contrato de concessão”.

“Impõe-se que o Estado regresse ao capital social e à gestão desta empresa. Só o Estado está em condições de garantir que o interesse público comanda as decisões de quem manda nos CTT. Se o Estado não intervier, é o próprio Serviço Postal Universal que está em causa e isso é inaceitável”, refere um comunicado da Federação do PS/Porto, citando Manuel Pizarro na cerimónia de tomada de posse da Secção de Ação Setorial dos CTT daquela estrutura partidária.

Para o dirigente socialista, “ocorrendo em 2020 a renegociação do contrato de concessão do Serviço Postal Universal, é agora que o Estado tem condições para tomar esta decisão, essencial para proteger os portugueses”, porque “a gestão privada dos CTT falhou”, atuando “de forma gananciosa e predadora”.

Pizarro considera ainda que a gestão privada dos CTT visou “resultados imediatos, desprezando os interesses e necessidades das pessoas e as obrigações do serviço público”.

“Degradou os níveis de serviço e alimenta um conflito com o regulador, desrespeitando as suas exigências. Os CTT, empresa respeitada e rentável quando pertencia ao Estado, veem a sua reputação posta em causa e perderam grande parte do valor”, sublinha Pizarro.

O dirigente notou que “Portugal necessita de um Serviço Postal Universal de confiança e proximidade, que ajude a combater o isolamento, que contribua para a coesão territorial e para o desenvolvimento do interior e que não bloqueie o funcionamento da economia”.

“Para isso, impõe-se que o Estado regresse ao capital social e à gestão desta empresa. Só o Estado está em condições de garantir que o interesse público comanda as decisões de quem manda nos CTT”, sustentou.

O presidente do PS/Porto exige ainda que seja tornada pública e “debatida de forma transparente” a “auditoria ao processo de privatização dos CTT, pedida pelo grupo parlamentar do PS na Assembleia da República em 2017 e realizada pela Inspeção Geral de Finanças.

“Não se pode compreender que esta auditoria seja mantida em segredo”, disse, desafiando o grupo parlamentar do PS a, “em função dos resultados dessa Auditoria, propor a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito às privatizações dos anos da troika”.

Pizarro criticou ainda a “forma leviana e irresponsável como a privatização dos CTT foi conduzida pelo Governo do PSD e do CDS”.

“O país tem o direito de saber quem são os responsáveis por esta operação prejudicial aos portugueses, quem elaborou e aprovou um caderno de encargos que nem sequer assegura a obrigatoriedade de manter um espaço dos CTT em cada Município, quem permitiu que a gestão privada de uma empresa que presta um serviço público essencial pudesse alienar de forma ruinosa o património acumulado ao longo de mais de um século”, frisou.

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