PT e Vodafone fecham acordo para partilha de rede de fibra ótica

Acordo é válido durante 25 anos
Acordo é válido durante 25 anos

A Portugal Telecom (PT) e a Vodafone anunciaram um acordo para a partilha de rede de fibra ótica. Os valores de investimento e as áreas geográficas não foram revelados.

O acordo agora anunciado abrange a partilha de rede em cerca de 900 mil
casas, ou seja, 450 mil casas para cada operador, através de um acordo de
aquisição de direitos exclusivos a 25 anos, explica a PT em comunicado. As duas
operadoras têm total autonomia e flexibilidade no desenho das ofertas de
retalho, incluindo de sinal de televisão sobre esta plataforma.

Há muito que a Vodafone pede junto do regulador uma decisão que lhe permitisse o acesso à rede de fibra construída pela PT. Situação a que a operadora sempre mostrou oposição. No último encontro da APDC, em novembro de 2013, durante o
debate do Estado da Nação das Telecomunicações,
Zeinal Bava foi assertivo.
“Houvesse
previsibilidade regulatória, a PT iria investir na rede fibra para acompanhar
os 2,6 milhões da Zon Optimus”, disse. “Não
vamos investir em fibra para depois a Vodafone andar a surfar”, garantiu.
“A fibra é nossa, é para os nossos clientes”, afirma.

A Vodafone e a Optimus tinham um acordo de partilha de rede, que chegou ao fim com a fusão entre a operadora da Sonae e a Zon, dando origem à NOS. Esta última também já anunciou investimentos para o alargamento da sua cobertura de rede, no âmbito do seu plano de investimento/crescimento a cinco anos. Surgimento de um ‘novo’ operador que poderá ter pesado na decisão da PT e Vodafone em chegar a este acordo.

A aposta numa oferta de convergência tem levado a Vodafone a
apostar na construção de uma rede própria, com diversas aquisições de empresas,
a última das quais a Ono, em Espanha. No mercado nacional, Mário Vaz, CEO da
Vodafone
, anunciou um plano de investimento de 240 milhões em dois anos, cem
milhões na expansão da rede fibra para assegurar a ligação de 1,5 milhões de
lares até 2015. Com o novo acordo, a rede estende-se até aos dois milhões. Até julho, a operadora tem 1 milhão de lares ligados, segundo disse fonte da empresa à Lusa.

Este acordo vai permitir às duas empresas continuar a sua estratégia de
oferta convergente e à PT chegar a 2,1 milhões de lares com rede de fibra. E à
Vodafone contrariar a perda de clientes na área móvel.

Até março (fecho do ano
fiscal), a Vodafone perdeu 525 mil clientes móveis.
Quebra que foi justificada
também com a questão das ofertas convergentes.
“É também uma perda inevitável em
função da convergência – quando não podemos oferecer ao nosso cliente um
serviço fixo e outro operador pode fazê-lo porque beneficia da sua situação
monopolista de rede nessa zona geográfica à qual ainda não chegámos”, disse
fonte oficial ao Dinheiro Vivo.

Mas a
operadora tem vindo a crescer em banda larga fixa e televisão, tendo sido a
operadora que mais cresceu em televisão “em reconhecimento do investimento
significativo que temos vindo a fazer nesta área”, disse a mesma fonte. Até março tinha 160 mil clientes de TV.

(notícia atualizada às 13h50 com novos dados sobre número de lares ligados pela fibra da Vodafone)

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