PT Portugal corta nas ajudas de custos aos trabalhadores

Armando Pereira, o chairman da PT Portugal, tinha garantido que os salários dos trabalhadores da PT não vão ser mexidos, mas a empresa já informou os sindicatos que vai cortar nas atuais ajudas de custo em deslocações e não só, numa altura em que a companhia está a prever mobilidade dos trabalhadores fruto da reorganização de empresas que está a ser preparada.

Os sindicatos foram confrontados com a decisão da administração da operadora na sexta-feira, sem ter havido qualquer negociação com os representantes dos trabalhadores. "Nunca aconteceu na história da empresa sermos informados de uma decisão que afecta os trabalhadores", lamenta Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT, em declarações ao Dinheiro Vivo.

A empresa apresentou uma nova tabela em que "vão reduzir os valores pagos pela agora Meo (antiga PT Comunicação) - onde está concentrada a maioria dos trabalhadores da empresa - de ajudas de custos, em vigor desde 2007, sem qualquer negociação, dando o facto como consumado", relata Jorge Félix.

A nova tabela visa a uniformização dos valores pagos aos mais de 11 mil trabalhadores da PT Portugal, mas a foi uma "tabelização por baixo". Em média, quando numa deslocação em serviço, um trabalhador da PT recebia para o almoço entre 7,97 e 12,41 euros, agora passa a receber 7,5 euros. No caso do jantar, recebe 10 euros. O pequeno-almoço sobe de 1,99 euros, para 2 euros. Ou seja, um cêntimo.

O trabalhador já não tem direito a despesas para alojamento (anteriormente entre 33,45 e 35,35 euros). "Não há dinheiro, com a empresa a fazer a marcação e o pagamento do alojamento", descreve o responsável sindical. Nem direito a um adiantamento da empresa.

A PT Portugal também alterou o conceito de deslocação. Ou seja, anteriormente o trabalhador tinha direito a ajuda de custo quando tinha, por exemplo, de acorrer a uma avaria ou serviço a mais de 5 km do local de trabalho ou quando mudasse de concelho. Agora, é só a partir de 30 km. "Quem está na empresa recebe um subsídio de refeição de 8,5 euros, mais do que quem tem de se deslocar em trabalho", realça Jorge Félix. O valor pago por km aos trabalhadores que usam o seu carro pessoal em serviço pela empresa também foi reduzido dos atuais 0,35 euros, para 0,11 euros.

Mas para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da PT o caso mais grave era o referente à chamada ajuda de custo completa (alojamento e alimentação), valor entre 51,29 e 59,64 euros. "Deixa de existir", diz Jorge Félix.

Este valor era o usado pela empresa para calcular o valor da indemnização de 11 meses a que o trabalhador tinha direito caso tivesse de mudar de local de trabalho por solicitação da empresa. "Isto é muito importante quando se prepara uma grande movimentação em termos de mobilidade de trabalhadores", realça Jorge Félix.

Esta terça-feira os sindicatos reuniram com João Zúquete da Silva, mas o administrador com o pelouro dos recursos humanos só se mostrou disposto a analisar alterações no que se refere à ajuda de custo completa, ficando de dar uma resposta aos sindicatos ainda durante esta semana, diz Jorge Félix.

Desde que assumiu a liderança da PT Portugal em junho, o grupo Altice tem vindo a implementar uma política de corte de custos. Começou pelos fornecedores externos, a quem foram propostos cortes nos valores de contratos até 30%, e reduziu o número de direções de primeira linha (em mais de 30), seguindo-se em setembro uma reorganização das estruturas de segunda e terceira linhas, visando uma maior agilização da empresa ao nível do reporte. A empresa quer ainda reduzir custos em outsourcing na área técnica, tendo já informado os trabalhadores que pretende cortar no apoio técnico prestado por colaboradores externos, substituindo-os por quadros da operadora, tal como noticiou o Dinheiro Vivo.

Ainda por conhecer está a estrutura final da companhia ao nível das empresas, onde tudo indica a Altice também quer cortar gorduras nas mais de 20 empresas que compõem a companhia. Situação que, já admitiu Armando Pereira, poderá levar a mobilidade de alguns dos 11 mil trabalhadores da companhia.

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